[[legacy_image_275919]] A posição do Brasil entre as últimas economias no ranking de competitividade, levantado pela renomada escola suíça de educação executiva IMD, não surpreende. Dos 64 países avaliados, o Brasil ficou em 60º lugar (estava em 59o no ano passado), à frente apenas de África do Sul, Mongólia, Argentina e Venezuela. Este é mais um estudo que mostra como o País perde tempo para fazer as mudanças necessárias, que vão do ensino básico à qualificação profissional, e da redução do endividamento público à revisão da carga tributária. Como a pandemia teve impacto mundial, ela não pode ser apontada especificamente como responsável pelo mau desempenho brasileiro. Por outro lado, o Brasil não se modernizou em parte pela tradição da classe política de acomodar interesses e não conseguir o consenso para tomar decisões e pelo costume de postergar soluções para questões polêmicas. Simultaneamente, os países asiáticos em desenvolvimento, ainda que permaneçam com injustiças sociais e desvantagens econômicas, conseguiram realizar conquistas importantes. A Coreia do Sul, exaustivamente apontada como exemplo, se tornou uma economia rica, enquanto Vietnã, Indonésia e Vietnã, e até o Chile, deram saltos importantes. No Brasil, a pesquisa indicou baixa produtividade associada às deficiências na formação de capital humano, além de problemas estruturais do setor corporativo, como atraso das empresas para adotar ferramentas de base tecnológica, sinal de falta de acesso aos novos conhecimentos ou mão de obra sem a devida capacitação para essas funções. Mas, no ranking da IMD, o País foi bem em preços, pois a inflação recuou primeiro no Brasil, na oferta de alimentos e na atração de investimentos internacionais. Também é preciso ponderar que o Brasil é parte do seleto grupo de economias de porte continental e de elevado número de habitantes que são diversificadas, com agropecuária, indústria e serviços. Esses países estão mais expostos ao protecionismo que protege grupos locais, como agricultores que não conseguem competir com o gigantismo de uma produção como a brasileira, como é o caso de irlandeses e franceses que se opõem a acordos comerciais com o Brasil. Há ainda nações de baixo custo, especialmente na Ásia, com muita oferta de mão de obra e poucos benefícios trabalhistas que conseguem vender mais barato. Entretanto, vantagens específicas de países e estratégias agressivas de preservação de mercados não podem ser justificativas para o Brasil ficar preso a condições que faziam todo sentido no passado e que hoje estão ultrapassadas. O importante é se preparar para se aproximar dos grandes líderes mundiais, como Estados Unidos, China e Japão e mirar conquistas sociais que as pequenas, mas avançadas economias já atingiram. O que não pode é ficar três décadas discutindo mudanças, como a reforma tributária, sem se chegar a qualquer resultado relevante.