[[legacy_image_199594]] O tórrido atual verão europeu ajuda a compreender até onde pode chegar o impacto das mudanças climáticas em uma escala mais extrema. Ao mesmo tempo há esperança com a aprovação definitiva do plano ambiental de US\$ 370 bilhões do presidente americano Joe Biden, talvez a maior iniciativa do tipo no mundo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na França, as águas dos rios Ródano e Garonne estão quentes demais para resfriar os reatores nucleares, principal fonte de energia do país. Na Alemanha, o nível do Reno caiu para menos de meio metro em alguns pontos, perto de impedir o escoamento de carvão e mercadorias de uma das regiões mais industrializadas do mundo até o Mar do Norte. Na Inglaterra, a estrada inundada nos anos 1950 pelo reservatório Baitings, em Wakefield, voltou a ficar exposta com a seca. Há, ainda, na Europa usinas hidrelétricas com lagos muito rasos para gerar energia, ampliando as expectativas de recessão não só pela inflação e subida de juros, mas também por questões energéticas (paralelamente, de causa geopolítica, há a retaliação russa, que reduzirá a oferta de gás no inverno). Exemplos preocupantes do clima podem ser observados em outros pontos do globo, como na Coreia do Sul, que na semana passada enfrentou suas piores chuvas em 100 anos, com a morte, entre outras vítimas fatais, de uma família afogada em um dos apartamentos subterrâneos, tal como na cena de inundação do filme Parasita. Do lado da tragédia ambiental, na última sexta-feira, o Deter, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontou em julho o maior índice de devastação da Floresta Amazônica desde 2015. Em um ano foram derrubados de 8.590 quilômetros quadrados de mata, o equivalente a 218 vezes a área insular de Santos ou 1,5 vez a do Distrito Federal. São problemas diferentes nos continentes que ajudam a piorar a crise climática de forma global, mas que deixam impactos assustadores nas regiões mais próximas. No Brasil, segundo cientistas, a devastação da Amazônia interfere no ritmo de chuvas do Sul-Sudeste, enquanto na Europa as pesquisas indicam que o calor derrete de forma muito rápida o gelo do Polo Norte, acelerando o risco de inundações das cidades costeiras. Há, ainda, o impacto no clima geral do Hemisfério Norte, causando temperaturas extremas tanto no inverno (frio polar) como no verão (mais de 40°C). Nos EUA, o plano de Biden vai estimular a geração de energia limpa e financiar a migração do consumidor para produtos limpos, como carros elétricos. O efeito benéfico ao mundo pode ser o de dar tração à tecnologia verde, reduzindo seu custo e tornando-a acessível aos emergentes. No Brasil, as matrizes eólica (vento) e solar avançam rapidamente, mas o Governo precisa investir em programas mais ambiciosos e de geração de negócios para empreendedores brasileiros, algo que Biden já prevê fazer do lado das empresas americanas.