[[legacy_image_169401]] O Santos celebrou 110 anos de fundação na última quinta-feira (14) e nunca é demais relembrar e exaltar os feitos do clube que teve o maior time da história e Pelé, o Rei do Futebol. As conquistas e os jogos inesquecíveis são tantos que falar sobre eles demandaria um jornal inteiro só com essa finalidade. Por tudo isso, e pela dura realidade, o ideal é debater as causas dos problemas atuais e as possíveis soluções. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Único time grande fora de uma capital brasileira, o Santos historicamente convive com dificuldades financeiras. Falta de recursos e dívidas que se arrastam por anos não são novidade. Porém, de uns tempos para cá, a coisa chegou a um ponto assustador. As cobranças na Justiça se avolumaram a ponto de o clube ficar ameaçado de perder pontos nos campeonatos, o que só foi evitado graças a atitudes emergenciais, empréstimos pessoais de dirigentes e muita negociação. Para chegar a uma condição dessas, é preciso emendar gestões que ignoram os princípios básicos da boa administração, dentre os quais o mais claro de todos, que prega que as despesas não podem superar as receitas. Quando este e outros preceitos são chutados para escanteio, como se não houvesse consequência, o que se vê são campanhas como as dos últimos dois anos, nos quais a briga contra o rebaixamento foi a realidade no pouco prestigiado Campeonato Paulista. Uma situação impensável. Desde 2021, o Santos tem Andres Rueda na presidência. Bem-sucedido no mundo dos negócios, ele elegeu a organização administrativa e financeira como prioridade. Pouco a pouco, as dívidas vêm sendo pagas. O problema é que elas são inúmeras, em valores que superam em muito a receita do Santos, e isso inviabiliza a montagem de times que possam brigar por títulos. Diante de todo esse cenário, só resta ao Santos manter a austeridade e concentrar esforços naquilo que o clube faz de melhor: revelar talentos. A tradicional política de dar chance a garotos promissores já resultou na descoberta de Pelé, Pepe, Coutinho, Neymar, Diego, Robinho e tantos outros. Ou seja, afora exceções, os principais jogadores foram formados em casa. Porém, em um esporte cada vez mais profissional, no qual as exigências e a competitividade não param de crescer, contar exclusivamente com jogadores da base não basta. A gestão do futebol tem de ser otimizada ao máximo para que, mesmo em desvantagem financeira em relação à maioria dos rivais, o Santos possa retomar a sua força. Possível é. Basta ver o que o Athletico-PR, de expressão, torcida e receita inferiores, tem feito nos últimos anos. Ainda que a administração do clube não esteja livre de vícios, em campo o time conquistou uma Copa do Brasil e duas edições da Copa Sul-Americana de 2018 para cá. Que o Santos, que também negocia a transformação da Vila Belmiro em uma arena moderna, possa entrar novamente nos eixos para se reencontrar com sua vocação vencedora.