[[legacy_image_258306]] “Uma piada de mau gosto”. Assim a Ucrânia definiu o fato de a Rússia ter assumido a presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU pelo prazo de um mês, substituindo Moçambique. Não é para menos. Ainda que a medida esteja de acordo com o regulamento da Organização das Nações Unidas, trata-se um contrassenso por tudo o que se vê há pouco mais de um ano, desde que os russos, comandados por um inflamado Vladimir Putin, resolveram invadir a Ucrânia sob pretextos indefensáveis, causando mortes e destruição. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! As críticas ao comando russo do Conselho de Segurança não se limitaram aos ucranianos. Governos e entidades civis de outros países também consideraram o gesto uma afronta. Por outro lado, para um órgão que precisa atuar como mediador de conflitos e seguir as regras, a ONU não poderia simplesmente rasgar seu estatuto e rejeitar ao governo russo o que é seu por direito. Além disso, autoridades ocidentais reconhecem que não há caminho legal para desfazer o imbróglio. Embora a Rússia não tenha maior influência durante seu mandato na presidência, ela administrará a agenda das reuniões. O Conselho de Segurança tem a finalidade de manter a paz e a segurança internacional, e o papel da presidência é em grande parte cerimonial, assumido por um mês de cada vez em ordem alfabética por cada um dos 15 membros. A presidência chega a Moscou semanas depois de Vladimir Putin ser acusado de crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional. Em suas justificativas, o presidente russo costuma culpar o Ocidente, sobretudo os Estados Unidos, por toda a crise. Na visão dele, a invasão russa nada mais é do que uma resposta às investidas da Otan aos países que um dia fizeram parte da União Soviética – como a Ucrânia – ou que a ela estavam diretamente ligados. Pois os próximos capítulos dessa novela não são promissores para ninguém. Afinal, a Finlândia teve aprovado seu ingresso na Otan. A candidatura do país nórdico, que compartilha a maior fronteira terrestre da União Europeia com a Rússia, foi aprovada por todos os 30 Estados-membros da aliança militar liderada pelos Estados Unidos e começou a valer ontem. A Finlândia e a Suécia decidiram abandonar a tradicional neutralidade no ano passado e solicitaram o ingresso à aliança militar após a invasão russa da Ucrânia. De uma vez por todas, Vladimir Putin precisa entender que tanto a Ucrânia quanto os demais países devem ter a autodeterminação de seus povos respeitada. Se isso significa uma aproximação maior com nações cujos costumes e ideais são diversos daqueles que ele considera os ideais, o presidente russo que trate de oferecer um estilo de vida e perspectivas que cativem tanto aqueles que nascem na Rússia como os que vivem nas imediações e sonham com uma vida livre e plena, longe de ameaças militares e do silêncio à custa do medo.