[[legacy_image_206272]] Já era esperado que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de diversos países recuasse devido ao impacto da pandemia, afinal o levantamento realizado pelas Nações Unidas considera renda, expectativa de vida ao nascer e escolaridade. De cada dez nações, nove registraram queda no IDH divulgado nesta semana, mas, no caso do Brasil, a perda superou a média global. Por aqui, o desenvolvimento humano voltou aos níveis de 2016, um triste desempenho, pois desde 1990 o Brasil mantinha uma escalada consistente de avanço de sua performance socioeconômica. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O problema é mundial, mas o Governo precisa fazer a lição de casa. Melhorar as condições de vida dos brasileiros é fundamental para recuperar os índices do País nesse campo, o que exige planejamento e investimentos públicos sustentáveis, principalmente em saúde e educação, áreas que evidentemente não têm recebido as atenções que merecem. O Brasil recuou de um IDH de 0,766 em 2019 para 0,758 em 2020 e que no ano passado ficou em 0,754, lembrando que 1 é o desempenho máximo – a primeira colocada é a Suíça, com 0,962, seguida da Noruega, com 0,961. No ranking de 191 países, o Brasil caiu de 84o para 87o lugar, uma posição à frente da Colômbia e uma atrás do México. Apesar de tanto se falar da crise argentina e do empobrecimento de sua população ou ainda de se supor que o Chile vai seguir o mesmo caminho, as duas nações superam o Brasil com muita folga, prova de que investimentos sociais e distribuição de renda são conseguidos ao longo das décadas. Enquanto a Argentina tem IDH de 0,842 e está na 47a posição, o Chile, com 0,855, ficou em 42o, liderando a América Latina. Costa Rica e Uruguai, ambos em 58o, Panamá (61o), República Dominicana (80o), Cuba (83o) e Peru (84o) também ficaram à frente do Brasil. O ranking é apenas uma forma de comparar o avanço de cada país, indicando que é possível melhorar ao longo dos anos. No Brasil, há dificuldades particulares, como uma extrema concentração de renda, anulando os efeitos benéficos que o País poderia ter por ser uma das maiores economias do mundo. Há ainda uma incrível disparidade de riquezas e desenvolvimento, como entre São Paulo e o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, ou o sertão nordestino. Para mudar esse quadro, além de levar progresso e renda a partes atrasadas do País, é preciso realizar investimentos pontuais sem interrupção de um governo para outro. Uma das frentes seria deslanchar o saneamento básico, cujo marco legal está travado em centenas de cidades pobres. Também é fundamental retomar a tradição da vacinação. São duas medidas com reflexos rápidos na saúde, principalmente nas populações miseráveis que vivem em áreas degradadas e com menor expectativa de vida. Olhando para décadas atrás, o País melhorou seus indicadores, mas evoluiu devagar, comparando-o com outros emergentes.