O secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, está coberto de razão ao alertar para o dramático impacto da pandemia sobre a aprendizagem na rede pública. Na visão dele, a recuperação dos estudantes dos ensinos Médio e Fundamental devido à suspensão das aulas nas escolas vai levar de dois a três anos. Por isso, como há planos de que o retorno às atividades escolares ocorra em janeiro e por completo em fevereiro, o retorno exigirá extrema responsabilidade por parte do Governo do Estado. Além do aspecto pedagógico, o ensino se dará sob protocolos sanitários, considerando que ainda não há consenso sobre quais medidas são as mais indicadas. Enquanto há os favoráveis ao isolamento completo no caso da área educacional, Soares defende a reabertura das salas. Seu argumento é dos mais convincentes. Segundo ele, não tem sentido manter a rede pública fechada ao mesmo tempo em que muitas pessoas realizam suas atividades sociais como se não houvesse mais disseminação do novo coronavírus, inclusive frequentando praias e outros locais de potencial aglomeração. De acordo com ele, a rede pública de ensino tem condições de manter os protocolos sanitários, como uso de máscara e higienização das mãos com álcool em gel, além de 10 mil banheiros terem sido reformados. Entretanto, persiste o risco da aglomeração e transmissão da covid-19 para grupos mais vulneráveis, como professores com problemas de saúde e avós que residem na mesma casa dos estudantes. Daí o imenso desafio e responsabilidade que recaem sobre os ombros das autoridades educacionais, que claramente terão que estar constantemente assessoradas por equipes médicas. Haverá estrutura para essa ampla tarefa? Sob o aspecto pedagógico, o secretário já tem seus planos traçados. As aulas começam no próximo dia 4 exclusivamente para reforço, com início efetivo do ano letivo em fevereiro. Ao longo do ano, a ideia será intercalar as duas modalidades para ao mesmo tempo recuperar o tempo perdido e ministrar novos conteúdos. Sabe-se das carências estruturais do ensino público, mas o Governo do Estado deveria aproveitar a experiência das aulas remotas, incorporando-as como atividades extras ou ainda para o aproveitamento dos estudantes com mais dificuldades. Por último, falta ainda conversar com os pais. Não se trata apenas de enviar uma carta detalhada ou realizar uma ou duas reuniões para informá-los. Será preciso realizar uma campanha de convencimento. Ao mesmo tempo que há muita gente displicente, existe a parcela que toma cuidados e também a que está insegura com a retomada do convívio nas escolas. Gerou muita desconfiança o fato do Governo do Estado não ter tomado medidas restritivas antes das eleições, quando os números da disseminação já se deterioravam, anunciando a fase amarela em seguida ao pleito e depois a vermelha, aliás, iniciativas que se pode dizer sem sucesso.