Estudo realizado pelo Boston Consulting Group (BCG) buscou aferir a intenção de profissionais de 197 países quanto à sua requalificação para exercer novas funções e carreiras nos próximos anos. Foram ouvidas mais de 360 mil pessoas em todo o mundo, e os resultados mostraram que, no Brasil, 75% dos entrevistados estão dispostos a buscar formas de requalificação para se capacitar aos desafios do mercado de trabalho. No País, 60% dos profissionais afirmaram que a ascensão da automação, da inteligência artificial e da robótica irá afetar de modo significativo suas profissões, o mais alto índice registrado na pesquisa (a média mundial ficou em 49%). Fica assim evidente que os brasileiros estão conscientes sobre os desafios que se colocam à sua frente na atividade profissional, e a intenção, fortemente demonstrada, é reagir a eles com estudo. 74% dos brasileiros disseram que dedicam parte do seu tempo se capacitando para os possíveis impactos da tecnologia e da globalização em suas carreiras, percentual bem acima do registrado em países como a França (42%) e a Alemanha (38%). Pode-se argumentar que nos países desenvolvidos a formação técnica é mais apurada, além das empresas desenvolverem programas de treinamento de sua mão de obra, de maneira a mantê-los atualizados sobre os avanços tecnológicos. Ainda assim, o estudo revelou discrepâncias entre eles: os japoneses temem mais a globalização do que a tecnologia em si, enquanto alemães são mais receosos dos impactos tecnológicos, e entrevistados do Reino Unido, Canadá e Estados Unidos tendem a sentir que essas tendências não os afetarão muito. O estudo permite concluir que os brasileiros têm hoje percepção do impacto tecnológico, vontade de aprender e flexibilidade para mudar quando é preciso. Há intenção de requalificar-se em suas carreiras. É interessante ainda observar que, no Brasil, a maior parte dos profissionais (64%) disse preferir as instituições de ensino tradicionais, embora 49% tenham se inclinado por cursos on-line. No leste asiático, porém, o aprendizado digital destaca-se (80%), e lá se recorre a aplicativos ou cursos on-line quando é preciso ter acesso a novas habilidades. Há, portanto, enorme demanda por cursos e treinamento profissional no Brasil, sem que tenham sido dadas respostas adequadas pelas instituições de ensino, que precisam priorizar esse segmento, ampliando a oferta de programas, que podem ser curtos, mas contínuos, muitos deles desenvolvidos em parceria com as empresas, de modo a atender suas expectativas e necessidades. A preocupação não deve ser treinar pessoas que consigam obter alto nível técnico, priorizando tecnologia: deve ser ressaltado que as três competências que os brasileiros mais querem desenvolver são liderança, adaptação e comunicação, e atingir tal objetivo representa desafio adicional.