[[legacy_image_213801]] Com um empurrão da necessidade dos brasileiros de economizar na conta de luz e o empreendedorismo que desbrava novas tecnologias, o Brasil tem hoje uma diversificação mais acentuada de sua matriz energética. Parte do avanço se deu na geração solar fotovoltaica (gerada diretamente dos raios solares), cuja potência instalada é de 19 gigawatts (GW), um feito inesperado, pois supera os 14 GW de Itaipu. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De toda a matriz elétrica do País, a solar fotovoltaica (há também a solar térmica, mais usada como aquecedor de líquidos) já é responsável por 9,6% do total. Dos 19 GW, 13 GW estão na infraestrutura instalada em telhados, fachadas e pequenos terrenos e os 6 GW restantes são de usinas de grande porte, como fazendas cheias dessas placas espelhadas que se espalham por vários pontos longe dos grandes centros do País. De acordo com dados do setor, a expansão da geração da fotovoltaica é de 1 GW por mês, o que faz a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimar que, no próximo ano, o Brasil vai poder atingir o dobro do que tem neste momento. Assim como outras fontes, a fotovoltaica tem suas imperfeições, que são até óbvias, como não poder ser gerada à noite ou quando o céu fica encoberto por um período muito demorado. Mas outras consideradas limpas também apresentam limitações, como a hidrelétrica, que se tornou insegura com as fases de seca cada vez mais constantes e demoradas. A eólica, por exemplo, muito comemorada, depende de ventos em quantidade e mais permanentes. No Brasil, essas condições estão em áreas do Sul e no litoral nordestino. A expansão da energia fotovoltaica, por mais vantagem que garanta ao País – é limpa e pode ser gerada na maior parte do Brasil –, não se dá por um planejamento governamental, como um programa de financiamento e incentivos fiscais que se vê em outras nações que tentam sair de uma base mais poluente, como a de carvão e petróleo. Por aqui, o esforço ocorre pela possibilidade de economizar em casa. Mas isso tem uma limitação, que é o preço do equipamento. No caso de uma família desejar instalá-lo em seu telhado ou quintal, o custo é estimado em R\$ 25 mil, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), um valor impraticável para quem mora nas periferias das grandes cidades. Se for uma indústria, com uma política interna de tornar sustentável seu consumo energético, o investimento será de R\$ 200 mil, pouco acessível para empresas de menor porte ou receita. Há ainda outra frente pouco explorada pela falta de um plano nacional de uso da fotovoltaica, que é a produção de equipamentos para gerar e consumir essa energia. Pelo menos até o começo da pandemia, 90% deles eram feitos na China. Com uma política industrial nacional, que não seja a de fechamento de mercado, mas de estímulo à inovação e ao custo baixo, o Brasil poderia potencializar seus ganhos com as novas fontes.