[[legacy_image_322896]] Este 1º de janeiro é uma oportunidade para avaliar as potencialidades do País para o ano que se inicia, mas também para apontar o que não recebeu a devida atenção em 2023. O ponto forte para 2024 continuará sendo a reforma tributária, que ainda não vai fazer efeito (apenas a partir de 2026), mas que desde já pesará no planejamento de longo prazo das empresas. Agora, será fundamental acompanhar as regulamentações do novo sistema que serão votadas no Congresso, sendo a última chance dos grupos influentes obterem tratamento diferenciado que em geral a sociedade não terá. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Depois do deplorável 8 de janeiro, com os ataques às sedes dos três poderes, a democracia saiu fortalecida, mas persistiu a polarização. Porém, haverá eleições municipais, que precisam dar uma resposta com uma diversidade de propostas, pois os cidadãos esperam soluções para suas realidades locais. No âmbito dos três poderes, a tensão tende a continuar, em especial entre o Legislativo e o Executivo. Basta observar o desfecho em dezembro, quando o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apesar de elogiado por aprovar sua pauta econômica, tentou reverter a promulgação da desoneração da folha de salários das empresas com uma medida provisória que não propôs alternativas decentes ao setor produtivo. O resultado foi mais turbulência a ser resolvida nos bastidores, sabendo-se que a situação é muito desfavorável ao governo, que a cada dia perde poder sobre o próprio orçamento. Aliás, isso também não beneficia o País, pois a distribuição de emendas, ao redor de R\$ 50 bilhões (quase cinco vezes a receita anual do Minha Casa, Minha Vida), não garante necessariamente recursos para as regiões e os temas que mais afligem aos brasileiros, mas para as áreas de influência de cada parlamentar com vistas às suas reeleições. Há mais duas prioridades para este ano, que é a ambiental e a segurança pública. No primeiro caso, incêndios, seca e enxurradas no ano passado indicaram um sinal muito claro das mudanças climáticas. O governo precisa sair do discurso e dar respostas rápidas para o curto, médio e longo prazos. No caso da violência urbana, foram obtidas algumas vitórias contra o crime organizado no Rio de Janeiro e o contrabando de armas, mas ainda há muito a ser feito, principalmente contra os assaltos corriqueiros, mais assustadores. O aplicativo Celular Seguro foi uma iniciativa positiva e se espera que sua implementação continue para se obter resultados efetivos. O presidente Lula terá neste ano uma agenda menos intensa de viagens internacionais, o que o manterá mais atento às questões nacionais. Não que a diplomacia não seja importante, mas o governo precisa de mais articulação no Congresso e condução firme sobre os ministérios. O bom senso e a calmaria na política também teriam impactos positivos sobre os agentes econômicos, garantindo uma continuidade à atual recuperação.