Em meio às análises sobre vencedores e perdedores do pleito municipal, os prefeitos eleitos têm quatro tarefas essenciais para o primeiro ano de governo: saúde, educação, geração de empregos e gestão das contas públicas. Todos esses quatro itens têm em comum que suas urgências estão relacionadas à pandemia, sinal de que o novo coronavírus não é uma tempestade passageira. O primeiro item, a saúde pública, é o mais importante por razões óbvias. Sem a retaguarda do Sistema Único de Saúde (SUS), tão negligenciado e criticado como ineficiente, o socorro imediato às vítimas da covid-19 teria resultados catastróficos, com impactos muito mais profundos do que os verificados até agora. O SUS se mostrou fundamental não apenas por ser universal e gratuito, mas por contar com uma estrutura própria de distribuição de recursos financeiros e médicos que estava pronto para funcionar, suportando com eficiência uma pressão sem precedentes. Entretanto, os próximos prefeitos, além dos atuais reflexos da pandemia, com a continuidade das contaminações, e a chegada da vacina, terão que cuidar de uma demanda reprimida. São inúmeras outras doenças e procedimentos agendados que terão que ser retomados a custos financeiros e humanos elevados. Por isso, a gestão nessa área terá que ser profissional e certeira, sem tempo para negacionismo e demagogia. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! A educação também vai exigir esforço redobrado, porque as ineficiências do ensino com as aulas remotas e o uso de novas tecnologias exigido às pressas terão reflexos no nível do aprendizado. A dificuldade será cuidar de uma espécie de fase de transição, com o retorno às salas de aulas sob cuidados, conquistando a confiança de pais e alunos no convívio escolar. Será preciso ficar atento ao estresse que muitos estudantes deverão trazer para a escola, desde o aspecto emocional imposto pelo isolamento em casa até a redução da renda familiar. Há ainda a oportunidade de aproveitar o novo normal e acrescentar transmissões ao vivo, por exemplo, de uma central do Estado ou da região para as escolas para reforçar o trabalho individual de cada professor. Outra tarefa fundamental dos prefeitos será gerar empregos, o que vai depender da vocação de cada município. No caso da região, serviços e turismo são áreas desafiadoras por estarem entre as mais afetadas pela pandemia. Por outro lado, as prefeituras podem fechar parcerias com o Sebrae para acelerar o acesso aos programas de crédito que o Governo Federal prepara para estimular a economia. Entretanto, o primeiro ano do próximo mandato será de baixíssima receita. A economia deverá crescer, mas o ritmo ainda será fraco, com empresas sem capital para investir e consumidor receoso de ir às compras, o que vai impactar no fisco municipal. Por isso, será um início de governo de arrumação em meio ao socorro aos doentes e desempregados, o que impõe muita responsabilidade aos eleitos.