[[legacy_image_225051]] Moradores do José Menino, em Santos, reclamam da presença cada vez maior de moradores em situação de rua que assediam, ameaçam e amedrontam quem passa e vive ali. Muitos - ou a maioria - sob efeito do álcool e das drogas, notadamente o crack, uma das substâncias mais nocivas ao organismo, de efeito deletério e devastador em pouco tempo. O preço da pedra de crack é menor que as demais drogas e, por isso, de fácil acesso. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! As queixas dos moradores são legítimas, não só sob o ponto de vista da segurança pública, como pela desvalorização de seus imóveis, tamanho é o desconforto que causa a presença de dependentes químicos em suas portas. A situação do José Menino não é nova, tampouco única em Santos. Porém, tornou-se grave na medida em que a geografia do bairro acomoda um túnel, o do VLT, bastante apropriado para quem busca esconderijo adequado para usar as drogas. A situação daquele trecho já foi pauta deste jornal um sem-número de vezes e, em todas elas, as soluções apontadas tanto pela Prefeitura como pela Polícia Militar não deram conta de eliminar o problema. E mesmo que desse fim ao transtorno daqueles moradores, certamente precisariam enfrentá-lo em outro canto da cidade, ou mesmo de São Vicente. E porquê? Porque combater esse quadro vai exigir mais que força física e policiamento. Criminosos precisam ser tratados como criminosos, e certamente não são poucos os que, nesse meio, roubam, furtam e até matam para conseguir recursos. Está certa a atuação da polícia na busca por esses elementos, e está certa a reivindicação dos moradores por mais câmeras de monitoramento e agilidade na prisão dos infratores. Porém, a solução mais duradoura passará por outro conjunto de políticas. Não são poucos os estudos que apontam as razões pelas quais as pessoas se tornam moradores em situação de rua. Basta pesquisar suas origens e trajetórias e identificar que há um sem-número de razões que levam indivíduos a ter a rua como ponto final de suas vidas. O uso do álcool e das drogas é só mais um elemento a tornar crítico esse quadro, que tem o desemprego, a falta de moradia, o desmanche da família e questões psicológicas a justificar parte desse desfecho. Muitos dos que ali estão não são criminosos e não optaram pela rua por livre escolha. Recambiá-los para os municípios de origem ou espantá-los para outros cantos da região não resolverá o problema. É preciso descer às razões que levaram a esse estado de coisas e, na medida do possível, tentar equacioná-las. Para os casos crônicos de dependência, a internação compulsória, embora polêmica, não deveria ser desconsiderada. O problema não é do José Menino nem de Santos, já que muitos vêm dos municípios vizinhos. O problema é da região e, como tal, deve ser tratado coletivamente, usando o rigor da lei quando for o caso, sim, mas com uma discussão de políticas públicas regionais que antecedem a presença da PM.