[[legacy_image_248244]] As chuvas intensas não são novidade, pelo contrário, acabam previstas pelos meteorologistas e pelos institutos e serviços que medem as condições climáticas a partir de satélites. O que nunca se sabe, porém, é a intensidade exata, o volume de água e o tempo que vai durar a tempestade. Neste final de semana, foram mais de 16 horas ininterruptas de chuva forte, desabrigando dezenas de pessoas, com destruição de casas, barracos, veículos, trechos de estrada no Litoral Norte e Mogi-Bertioga. E mais: a ressaca e as fortes ondas fecharam o maior porto da América Latina entre sábado e ontem. As cidades mais castigadas foram Guarujá, Bertioga e São Vicente. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Importante destacar que os prejuízos decorrentes de temporais não se restringem ao período de chuva, mas se estendem por semanas e meses, visto que há estragos materiais para as famílias, perda de mercadorias em comércios e danos à infraestrutura urbana que precisarão ser reparados no menor tempo possível. Em se tratando de região turística – ainda mais durante o Carnaval –, o impacto à cadeia produtiva que espera pelo fluxo de visitantes para recuperar receitas é grande e irrecuperável. Há uma parcela da sociedade que interpreta períodos assim como naturais e corriqueiros, quase parte integrante do calendário regional. Porém, o adensamento urbano, a ocupação irregular de áreas desconformes e as mudanças climáticas das últimas décadas têm transformado em tragédias ou semitragédias as musicadas “águas de março fechando o verão”. Em fevereiro do ano passado, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado divulgou detalhado estudo climático para a Baixada Santista, dentro do Projeto Municípios Paulistas Resilientes, apontado cenários até o final deste século. O estudo, financiado com recursos de cooperação alemã, analisa o comportamento pluviométrico e de temperatura registrado entre 1976 e 2005, comparando os dados e formatando modelos climáticos para os períodos 2021-2050, 2051-2080 e 2081-2100. No relatório, há o indicativo de eventos extremos de chuva em cidades como Cubatão, São Vicente e Guarujá, e de alta na temperatura no Litoral Sul. Os dados servem para embasar e dirigir políticas públicas de mitigação de danos. Nenhum gestor pode alegar desconhecimento sobre os pontos críticos de seus municípios, o que torna criminoso e irresponsável permitir novas ocupações irregulares ou glosar verbas para obras que melhorem a infraestrutura urbana. O que se viu neste final de semana em alguns municípios foi a repetida cena de alagamentos em pontos já conhecidos, e a formação de verdadeiros rios em outros até então ignorados, o que agrava o quadro. Se não é possível parar os efeitos das mudanças climáticas porque isso depende de ações coletivas e mundiais, que ao menos se priorize o investimento na redução de danos para tornar as cidades e os cidadãos mais resilientes ao que vem por aí.