[[legacy_image_164614]] A queda do general Joaquim Silva e Luna do comando da Petrobras tira todas as dúvidas de que o presidente Jair Bolsonaro vê os combustíveis como a pedra no sapato para as eleições. A demissão parece mais um ato como resposta ao eleitorado de classe média e aos caminhoneiros autônomos que sentem o peso da subida do petróleo no bolso. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Observando as possibilidades do novo presidente da estatal, Adriano Pires, que ainda depende de uma votação no dia 13 (o governo controla os votos), pouco poderá fazer de diferente dos antecessores – Silva e Luna e Roberto Castello Branco. Pires já se posicionou por um fundo formado com dividendos que o governo recebe da empresa. Com esse artifício, se o preço internacional sobe, ele é acionado como subsídio. Entretanto, se essa ideia sair do papel agora, não deve ter muita serventia. Considerando as dimensões do País e sua dependência do meio rodoviário, este fundo precisará de tempo para ter muitos recursos para sustentar a atual alta do barril. Por outro lado, teria sido mais inteligente abastecer esse fundo na baixa da cotação, pois não seria utilizado e formaria sem esforço uma “poupança” de recursos. O melhor momento, baseando-se nos últimos quatro anos, foi em abril de 2020, quando o tipo Brent atingiu piso de US\$ 19. O pico foi justo agora, em 8 de março, a US\$ 127 o barril. A invasão da Ucrânia e o risco de proibir a compra de petróleo russo puxaram esses valores, mas a commodity já estava valorizada no fim do ano passado, acima dos US\$ 80, com a reabertura das economias do Hemisfério Norte. Portanto, o Brasil foi atropelado pelos fatos, porque mais uma vez não se preparou com antecedência. Por aqui, a regra é trabalhar no afogadilho. Entretanto, esse fundo de estabilização de preços não é popular entre economistas mais liberais, como o próprio Castello Branco. Esse artifício drena recursos públicos que poderiam ser investidos em educação, saúde ou alternativas energéticas e não apenas para uma parte da sociedade, a classe média, que passa aperto, mas não sofre tanto quanto os mais pobres. Por outro lado, nessa argumentação, o subsídio deturpa a formação de preços de uma economia de mercado, gerando acomodação, desestimulando investimentos e abrandando pressões para reduzir custos. Ainda não se sabe o que o Palácio do Planalto vai exigir de Adriano Pires, considerado um nome de personalidade afável e popular entre os jornalistas – ele é uma referência para a imprensa nos assuntos de energia. Também falta descobrir como Rodolfo Landim (presidente do Flamengo e ex-executivo de Eike Batista) vai atuar no Conselho de Administração da Petrobras. Ambos terão que lidar com inquietações eleitorais, ainda que Bolsonaro afirme que não interfere na empresa. Afinal, a queda de Silva e Luna se deu após os ataques dos presidenciáveis Ciro Gomes e Lula, na propaganda partidária da TV, à política de preços da Petrobras.