[[legacy_image_56054]] O relatório anual da Cetesb referente ao ano passado trouxe um quadro de praias ruins ou péssimas para banho na Baixada Santista. Ainda que a agência estadual ambiental não considere que houve uma piora generalizada na região e até que Santos e São Vicente melhoraram suas classificações, o alerta continua e as prefeituras e o Estado precisam continuar atentos e trabalharem por melhorias progressivas nos próximos anos. De acordo com a Cetesb, os dados podem até terem sido influenciados pela suspensão do levantamento, devido às restrições da pandemia, de abril a junho de 2020, época de águas mais limpas, mas a essência do problema permanece, com a poluição por diferentes motivos gerando riscos à saúde da população, com reflexos graves no meio ambiente, tema essencial para o século 21. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! De acordo com reportagem de A Tribuna publicada na edição de ontem, das 70 praias monitoradas na Baixada no ano passado, 39 foram consideradas ruins ou péssimas, avançando 18,2% sobre os dados de 2019. Na classificação da Cetesb, o destaque positivo foi Bertioga, o que traz mais responsabilidade para o Município para não deixar seu desenvolvimento prejudicar as praias e deteriorar a qualidade de vida local. Entretanto, a qualidade das praias ainda preocupa nas outras cidades, com problemas que são antigos, que ao longo das décadas foram retratados por este jornal. Após tanto tempo é uma questão de honra cuidar da balneabilidade. Antes, deve-se lembrar que a condição das praias não é uma questão estética ou de preservação de cartão-postal. Os critérios de classificação consideram as densidades de bactérias fecais no mar constatadas por coletas semanais, uma forma de informar e proteger os banhistas contra os inúmeros riscos à saúde. É preciso ressaltar que essas pesquisas seguem critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente, portanto, são transparentes e devem receber a confiança das autoridades municipais, dos moradores e dos empreendedores que vivem do turismo. A reportagem explica algumas causas da má qualidade. Um dos destaques é São Vicente, onde há o esgoto com dificuldade de ser levado por conta do fluxo da maré e que prejudica as praias do Gonzaguinha e Milionários. Há também a falta de saneamento das ocupações habitacionais irregulares. Portanto, fica difícil garantir balneabilidade em São Vicente sem investir em moradias para a baixa renda. Em Santos, a contaminação se dá quando as comportas dos canais são abertas devido à chuva e a água carrega às praias o esgoto clandestino, incluindo fezes dos cachorros. A Cetesb cumpre seu papel ao fiscalizar as praias e se basear em estudos para informar a população. Dessa forma, os moradores precisam cobrar respostas de longo prazo e mais eficientes das autoridades para corrigir os pontos vulneráveis e, consequentemente, além de proteger a saúde, tornarem a região mais atraente aos turistas.