Muitas ideias já foram propagadas para recuperar a região central de Santos. Algumas sérias, outras imprecisas, mas poucas com o resultado prático e no nível esperado. Se prefeitura, comércio e construção civil pretendem conquistar resultados no curto e médio prazos, é preciso que trabalhem em conjunto. As construções históricas devem ser preservadas, mas com utilidade econômica. Empreendimentos habitacionais são bem-vindos e, assim como investimentos de serviços, serão atraídos se o poder público tomar duas medidas importantíssimas: recuperar ruas e praças abandonadas e sujas e garantir a segurança pública. É fundamental acabar com o aspecto de vazio que se vê após o fim do expediente dos comerciários e dos funcionários dos escritórios e da prefeitura. Basta imaginar hoje a divulgação de um empreendimento imobiliário. O que ela anunciará de atrativos ao cliente, além de moradia nova e preço acessível? É preciso que este futuro morador tenha a certeza de que poderá sair de casa após às 19h sem ser importunado ou a qualquer momento não se deparar com lixo acumulado ou calçadas quebradas. Esse perfil de nova área em recuperação depende também dos imóveis ou terrenos abandonados, cheios de sujeira ou ocupados indevidamente. Como são propriedades particulares, a prefeitura terá que entrar em ação para cobrar desses donos que deem uma finalidade a esses imóveis. O estímulo ao comércio e a realização de eventos no Centro é de extrema importância e seus impactos poderão ser verificados rapidamente. Não se deve sonhar com a volta de lojas que foram para os shoppings ou empresários que agora experimentam as vendas pela internet. O Centro tem um comércio diversificado, mas o filão do baixo custo e de miudezas cresceu com força, além dos restaurantes e das casas noturnas da região da XV e da Rua São Bento, no Valongo. O comércio popular precisa ser visto sem preconceito. Ele avançou em São Vicente, em Vicente de Carvalho e na Zona Noroeste, oferecendo empregos para a população que mais precisa. A disputa para atrair consumidores precisa ter foco e campanha constantes, além de reduzir problemas de acesso. Hoje muitos evitam o Centro por falta de estacionamento e essa falha precisa ser resolvida. Por sorte, há mudanças de comportamento, com os aplicativos de transporte. Contudo, deve-se estimular o uso de ônibus e dar mais conforto nos pontos. Basta consultar a equipe de Jaime Lerner que, com certeza, terão muitas ideias a oferecer. As principais adequações legais já foram feitas ou estão em discussão na Câmara, mas boa parte do trabalho a ser feito depende da própria prefeitura. Talvez fosse mais eficiente ter um coordenador voltado para essas tarefas e cujos trabalhos tenham continuidade no governo do futuro prefeito.