[[legacy_image_174774]] Não é de hoje que se discute, se planeja e se estuda a viabilidade de implantação de um sistema de transporte público pelas hidrovias da Baixada Santista, utilizando rios, braços de mar e mesmo o oceano. Um dos estudos mais completos foi feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em 2015, que considerou a viabilidade técnica e financeira de implatar o transporte hidroviário de passageiros entre os municípios. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O instituto avaliou os cenários a partir de trajetos objetivos e reais, feitos pelas pessoas diariamente. Um deles foi entre Vicente de Carvalho e Bertioga, por exemplo, e a constatação foi de que o tempo de percurso seria reduzido pela metade. Outro ponto positivo apontado pelo IPT foi em relação ao potencial turístico que esse modal oferece, tendo em vista que os trajetos pelos rios da região representariam atrativo a mais a quem visita a Baixada Santista e queira observar a fauna e flora existentes à beira dos ecossistemas da costa, manguezais incluídos. Estudos e mais estudos nunca saíram do papel, embora as vantagens desse modal sejam claras e efetivas: flexibilização de tráfego, custo zero com manutenção de vias e implantação de sinalizações, baixo impacto ambiental, possibilidade de integração com outros modais e encurtamento de distâncias e de tempo entre os pontos. Embora muito já se tenha caminhado na análise da viabilidade técnica e de infraestrutura necessária, é preciso uma avaliação mais apurada da viabilidade financeira e de como integrar os modais na Baixada Santista de tal forma que tenha aderência da população que realmente precisa se deslocar todos os dias entre os municípios. Projeto nesse sentido foi apresentado recentemente ao Governo do Estado pela SPHidro SA, empresa de transporte de passageiros por hidrovia. Já há recursos disponibilizados para a construção de 14 embarcações de médio porte, por meio de financiamento de R\$ 162 milhões do Fundo da Marinha Mercante. Os recursos viriam por meio de contrato firmado com o BNDES, órgão financiador do projeto. A empresa propôs ao Governo do Estado a formatação de uma parceria público privada, com contrato de 35 anos de vigência, em que ao Estado caberia a formulação de política tarifária e o custeio da operação, ficando também com os recursos da bilhetagem. À empresa ficaria a construção das embarcações e estruturas de embarque e desembarque e manutenção ao longo desse período. Se essa é a melhor modelagem ou não ainda não se sabe, mas é certo que o transporte público municipal já vem sendo, há anos e em vários municípios, subsidiado pelos governos. Ainda que o resultado entre despesas e receitas não seja zerado, é preciso colocar na balança as vantagens de se adotar tal modal em função do leque de vantagens. O que não se pode, novamente, é engavetá-lo sem que um debate firme e propositivo seja feito. Está posta mais uma oportunidade à região.