[[legacy_image_342466]] De tempos em tempos, o transporte hidroviário volta à pauta, quer com o debate sobre a necessidade de modais mais sustentáveis e baratos, quer pela necessidade de formatar uma logística que encurte a distância entre quem produz e quem consome ou quem produz e os portos de escoamento para fora do País. O tema retornou à mídia nas últimas semanas face ao iminente anúncio, pelo Governo Federal, da criação da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos. É sabido que o Brasil explora mal e pouco o potencial hidroviário do País, calculado em torno de 50 mil quilômetros de vias navegáveis, extensão bem maior que o sistema Mississipi/Missouri, dos Estados Unidos, que com pouco mais de 6 mil quilômetros explora tudo que uma hidrovia pode oferecer. Por outro lado, é compreensível e legítimo o argumento, de quem opera a carga, de que a multimodalidade rodo-ferro-hidroviária só funciona de forma eficiente se todos os gargalos estiverem resolvidos, como a perda de carga e de tempo na passagem de um modal para o outro. Há, ainda, uma questão de infraestrutura que, se não for equacionada, jamais se poderá pensar em transporte hidroviário. Esse tipo de modal pressupõe a existência de estruturas mínimas de funcionamento, como para carga e descarga, e para acomodar passageiros e oferecer segurança. Operadores logísticos argumentam que estruturar esses quesitos é pré-requisito para se pensar em sua exploração, e que essas providências devem vir do Poder Público como fomento ao modal e estímulo a seu desenvolvimento. Há a expectativa de que esses custos estejam incluídos no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Adicionalmente, o setor precisa de regulação específica, legislação própria e clareza jurídica para garantir segurança a quem for investir ou operar. Com esse conjunto de providências, o transporte hidroviário emerge como uma solução promissora e muitas vezes subestimada. Há consenso por parte de especialistas sobre as vantagens inegáveis das hidrovias e uma das principais é a condição de baixo impacto ambiental, uma virtude afinada à necessidade de descarbonização para frear as mudanças climáticas. Na Baixada Santista, um projeto de transporte de passageiros está pronto, oferecendo rapidez e comodidade no deslocamento de milhares de trabalhadores que diariamente se deslocam entre os municípios por estradas, congestionando o trânsito e poluindo a atmosfera. É fundamental que os governos reconheçam esse potencial e invistam nessa alternativa. Não é a criação de uma secretaria específica que vai desenhar esse caminho, mas a adoção de medidas efetivas e políticas de estímulo que incluam recursos para infraestrutura e formatação de modelos regulatórios que facilitem a entrada e permanência da iniciativa privada nesse modal.