[[legacy_image_257726]] Não deve ser jogado na gaveta o recém-apresentado Plano Regional de Mobilidade Sustentável e Logística da Baixada Santista, apresentado esta semana, e que deveria ter tido a presença de todos os prefeitos e representantes dos legislativos da região. Apenas dois prefeitos compareceram: Kayo Amado (Pode), de São Vicente, e Marcio Gomes (Republicanos), de Mongaguá, atual presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O plano é uma produção minuciosa e valiosa de técnicos da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem) e foi apresentado em dezembro do ano passado. Ali estão descritos os resultados de pesquisa de campo feita com usuários dos diversos modais de transporte (ônibus, carro, bicicletas, motocicletas e até os que se movem a pé), além de uma radiografia do sistema urbano de transporte coletivo, condição das vias públicas, da frota de ônibus, tarifas e demandas por integração. Os recursos para o estudo vieram do governo francês, por meio de parcerias e convênios com a Agem, e já houve a sinalização desses fundos de que há recursos para custear as obras necessárias, apontadas pelo plano como essenciais para dar mais fluidez ao ir e vir do morador da região. No total, são21 programas propostos, com 177 ações de infraestrutura e operação de mobilidade urbana, divididas nas áreas cicloviária, transporte coletivo, sistema viário e circulação, totalizando investimentos de R\$ 3,4 bilhões. A cifra assusta, é verdade, mas é preciso compreender o grau de relevância de cada ação proposta, o público atingido e o valor do investimento. Além disso, as obras e projetos não precisam ser feitos todos ao mesmo tempo. Mas é preciso começar. Falar sobre mobilidade urbana não diz respeito apenas a garantir o ir e vir do cidadão entre um município e outro, entre um bairro e outro. Mobilidade tem relação próxima com o desenvolvimento sustentável, uma vez que boa parte da sociedade já entendeu que cidades mais saudáveis são aquelas que priorizam transportes com menos emissão de gases de efeito estufa (GEE), responsáveis pela destruição da camada de ozônio e, consequentemente, pelas mudanças climáticas. Além disso, equalizar o crescimento das cidades da Baixada Santista depende fortemente de como funcionam os sistemas de locomoção, tempo gasto no trânsito e oferta de transporte público de qualidade. Há uma queixa constante, e até certo ponto legítima, da existência de um excesso de estudos, programas, mapeamentos e projetos sobre a região, e de que é preciso tirá-los das gavetas e colocá-los em funcionamento. Assim tem sido há quase 30 anos, desde que a Região Metropolitana da Baixada Santista foi criada. No entanto, é preciso admitir que tirar planos e propostas do papel depende, além de recursos, de vontade política e de espírito coletivo.