[[legacy_image_268649]] O governo deve anunciar nesta semana um conjunto de medidas para reativar o setor industrial, e a expectativa em relação ao segmento automobilístico é a adoção de medidas para baixar os preços dos chamados carros “de entrada”, antigamente conhecidos como populares, para uma faixa de R\$ 50 mil a R\$ 60 mil. Também pode haver alguma medida para os modelos de até R\$ 100 mil. Segundo especialistas, para chegar a essa faixa de preço, são necessários incentivos como corte de alíquotas de impostos federais e estaduais, redução de margens de lucro de montadoras e concessionárias e retirada de alguns itens, como central multimídia e ar-condicionado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O mercado dos “populares” deixou de ser assim tão acessível durante a pandemia, quando o desabastecimento de insumos, como os semicondutores e chips, encareceu os modelos mais baratos de todas as marcas e inviabilizou a compra de novos pelas camadas da população que ainda conseguiam ter acesso por meio de financiamento e negociações com as concessionárias. Em 2012, esse segmento detinha 31,3% das vendas. Neste ano, até abril, a fatia é de 9,3%. O mercado vem sendo dominado pelos modelos chamados SUVs, os utilitários esportivos, que caíram no gosto popular das faixas com maior poder aquisitivo. Todos os modelos à venda custam mais de R\$ 100 mil, também foram impactados pelo desabastecimento de insumos, mas acabaram se tornando mais vantajosos para as montadoras, que investem para atender a uma camada que ainda tem acesso ao crédito e precisa de um veículo à disposição. Os SUVs, que em 2012 ocupavam apenas 8,8% do mercado, hoje representam 46,4%. Lançar um pacote de medidas para estimular a indústria automobilística nacional é medida acertada e importante, porque desencadeia efeito imediato em toda cadeia produtiva, da fábrica às concessionárias. Além disso, estimula também o mercado de seminovos, que acabou encarecido pela lei de oferta e procura: com carros populares novos a preços mais altos, os usados passaram a representar a opção para quem não teve mais acesso ao zero quilômetro. Há, entretanto, algumas análises importantes que precisam ser feitas sobre esse segmento. A primeira delas diz respeito às próprias montadoras, que talvez não tenham mais interesse em fazer crescer a linha de produção dos populares, mas, sim, tornar os SUVs mais acessíveis se houver estímulos por parte do governo. A outra questão diz respeito à análise do futuro, em que se deve pensar na ampliação da frota de carros com energias limpas, como os elétricos. Se é para retomar a indústria e renovar a frota de populares, talvez deva-se fazer de tal forma que contemple também essa tendência. Os meios de transporte representam, hoje, fatia importante da emissão de gases de efeito estufa. Qualquer medida que se adotar no rumo contrário, para tal redução, pode representar um ganho de um lado, e um revés do outro.