[[legacy_image_330093]] No discurso, a Educação é, ao lado da Saúde, prioridade para todo e qualquer agente político, seja da situação, seja da oposição. Na prática, porém, o que se vê é a disputa de poder muitas vezes colocando tudo a perder e provocando um prejuízo imensurável, que há décadas coloca o Brasil atrás de países menores e com menos recursos em matéria de desenvolvimento social e econômico. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A situação é tão crítica que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva admite que, em que pesem investimentos e estratégias de gestão de diferentes governos, “sempre está faltando alguma coisa para fazer” na Educação. Na apresentação do programa Brasil Unido pela Educação, Lula afirmou que “muitas vezes os graves problemas estão no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, sobretudo quando a gente descobre que muitas crianças continuam analfabetas no terceiro ou quarto ano da escola”. Diante de um quadro tão delicado, o que fazem os políticos? Perdem tempo com embates que não levam a nada, a não ser mais atraso e polêmicas vazias, adequadas apenas para incendiar as redes sociais. No mais recente episódio, bancadas oposicionistas uniram esforços contra o Plano Nacional de Educação (PNE) do governo. O PNE tem como premissa organizar políticas para o ensino em consonância com os entes federativos. É de responsabilidade do Executivo após debates na Conferência Nacional de Educação (Conae). Vencidas essas etapas, o programa passa pelo crivo do Congresso. O PNE está prestes a vencer, e um novo será produzido nos próximos dias, após nova convocação da Conae. Entretanto, parlamentares ligados a setores conservadores pedem o adiamento da conferência, reclamando do viés político do documento oficial. Em linhas gerais, a peça aborda assuntos pertinentes. Porém, em dado momento alcança temas como diversidade de gênero e religião e meio ambiente, além de criticar pautas como militarização de escolas e o ensino em casa, o homescholling. O documento ainda destaca que diversidade e direitos humanos sofrem ataques violentos de forças midiáticas, parlamentares, ruralistas, políticas, jurídicas e conservadoras, e que machismo, racismo e sexismo são norma de projetos do Congresso. E classifica o impeachment de Dilma Rousseff como golpe. Não se trata aqui de discutir valores, ou mesmo se o encerramento precoce da gestão Dilma foi legítimo ou abusivo. A questão é que o que realmente importa, a Educação, acaba ofuscado por temas políticos. Levando em conta que precisa da anuência de um Congresso no qual não dispõe de maioria, a administração petista comete erro grave ao tentar inserir pautas sensíveis em um compartimento inadequado. Já os parlamentares deveriam tratar as prioridades como tal e deixar a sociedade se regular em matérias de costumes e preferências.