[[legacy_image_290891]] A polarização política que tantos males vem causando ao Brasil nos últimos anos teve seu mais recente capítulo na última sexta-feira, quando oficiais da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal foram presos durante operação da Polícia Federal que apura condutas de autoridades diante dos ataques às sedes dos três Poderes em 8 de janeiro. De acordo com a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República, sete investigados se omitiram no cumprimento do dever funcional de agir. Ainda conforme a PGR, os oficiais teriam deixado de intervir na “expectativa de mobilização popular para garantir” o governo anterior no poder, indo contra o resultado das eleições presidenciais de 2022. “Contaminada ideologicamente”, a cúpula da Polícia Militar do DF contava com uma revolta popular para contestar a vitória de Lula na eleição presidencial. Trocas de mensagens entre os oficiais deixam claro que os envolvidos eram adeptos de teorias conspiratórias sobre fraudes eleitorais. Ao assumir a condição de servidor público, independentemente da esfera, o indivíduo deve ter em mente que trabalha para o Estado, não para o governo de plantão. Até tempos atrás, a maioria absoluta seguia o padrão esperado pela sociedade, de isenção mínima nas atividades profissionais, mas, nos últimos anos, as estações se misturaram de maneira perigosa, sobretudo entre as forças de segurança. Diferentemente do que alegava a oposição na CPMI dos atos golpistas, o Ministério Público comprovou que os agentes de segurança do Distrito Federal receberam, antes do dia 8 de janeiro, informações de inteligência que indicavam as intenções golpistas e, dessa forma, “conheciam previamente os riscos e aderiram de forma dolosa ao resultado criminoso previsível, omitindo-se no cumprimento do dever funcional de agir”. Já passou da hora de a institucionalidade voltar a ser regra, e não exceção, na vida pública do Brasil. Não somente por parte daqueles que deixaram o poder, como também pelos que assumiram a gestão. Se nos primeiros meses do ano as intervenções de Flávio Dino, ministro da Justiça e Segurança Pública, foram certeiras para derrubar narrativas e mostrar que existe um rumo no governo, o excesso de exposição e determinadas falas controversas colocam em xeque ações que foram tomadas pela atual gestão. As operações da Polícia Federal devem transcorrer de maneira independente e não podem ser usadas como troféu na seara política, para delírio dos seguidores nas redes sociais. Os primeiros sintomas da confusão institucional começam a aparecer. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem, a confiança nas Forças Armadas sofreu uma queda expressiva desde o fim do ano passado. Entre dezembro de 2022 e agosto de 2023, o número dos brasileiros que afirmavam “confiar muito” na instituição passou de 44% para 33%.