[[legacy_image_294573]] Pelo resultado do segundo trimestre, de alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,9%, o País poderá crescer 3% neste ano, bem acima das previsões para 2023 feitas meses atrás, de 1% ou até menos. Eis aí o motivo dos economistas terem demonstrado surpresa com os dados do PIB calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diferentemente do período de janeiro a marco, quando o agronegócio conduziu a expansão da economia, a locomotiva da retomada no segundo trimestre foi o consumo das famílias, com impactos positivos na indústria e nos serviços. Melhora do mercado de trabalho e aumento da massa salarial, além da preservação do poder aquisitivo devido à queda da inflação, explicam a volta do consumidor ao mercado. Mas há um fator por trás que deu um empurrão definitivo - o gasto público e a política do governo de estimular a economia por meio do reajuste do salário mínimo com ganho real (acima da inflação) e os programas sociais. Assim, levanta-se a preocupação se tal expansão do PIB por meio dos recursos públicos será sustentável. Isso precisa ser questionado porque neste momento o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mantém uma meta de difícil realização para o próximo ano, que é zerar o déficit. Como não há interesse de cortar gastos, a opção óbvia é melhorar a arrecadação, o que implica ampliar a receita em R\$ 168 bilhões. Uma parte disso pode vir por meio do crescimento da economia, que agora se mostra mais robusto. Entretanto, isso não está garantido, o que impõe aumentar impostos, algo eleitoralmente inviável pela impopularidade do tema. Uma saída é avançar sobre nichos, como fundos fechados ou exclusivos, dos super-ricos, que pagarão Imposto de Renda a cada seis meses e não apenas no resgate. Portanto, o crescimento do PIB via injeção de recursos públicos é limitado ou no mínimo incerto, pois não se sabe qual o sucesso que Haddad terá em seus objetivos de aumento de receita. Para o País avançar, o ideal é contar com a atividade privada, que pode ser estimulada pelo governo por outros meios. Como haver mais crédito com juros baixos, reduzir a burocracia e negociar com o Congresso uma discussão mais célere da reforma tributária para aprová-la logo. E ainda apoiar marcos legais propostos no Legislativo ou já em vigor, mas que não caem no agrado do PT, como o do saneamento. Um dos problemas do Brasil que desestimulam a atração de negócios e as empresas é a mudança o tempo todo de normas, levando à insegurança jurídica. Aliás, enquanto aumenta o consumo das famílias, o investimento, que é a outra conta que move a economia, permanece enfraquecido. Projetos de infraestrutura com participação do setor privado e sinalização firme do governo no controle dos gastos têm potencial para gerar confiança no mercado, fluindo recursos para todo tipo de empreendimento, gerando mais emprego e bem-estar social no País.