[[legacy_image_271802]] O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,9% no primeiro trimestre, na comparação com o quarto trimestre de 2022, veio acima das expectativas, com a importância de ter revertido o desempenho do período imediatamente anterior (outubro a dezembro do ano passado), de -0,1%. As medidas do atual governo ainda serão sentidas, mas o PIB de 1,9% serve como referencial para o restante do ano. Entretanto, será difícil repeti-lo, pois, no cálculo anualizado, se o patamar de janeiro a março fosse mantido até dezembro, o País cresceria quase 8% em 2023. Os economistas acham possível que o Brasil avance 3%, o que seria um grande feito, pois as projeções mais recentes apontavam para 1%. Por isso, espera-se que o governo ajuste sua articulação no Congresso e evite polêmicas ideológicas que só têm provocado distração. Os ministros do Executivo precisam se concentrar nos projetos prometidos durante a campanha eleitoral e que poderão sustentar uma sequência de crescimentos trimestrais. É o caso do Desenrola, que contraria seu próprio nome e está dormente por dificuldades técnicas, provavelmente na questão dos recursos da garantia e do alto risco de calote dos participantes. Entretanto, o Desenrola é fundamental para resgatar milhões de consumidores do endividamento. Sem essa frente, o comércio não terá como fazer sua parte pelo País. O mais curioso é que o motor da economia tem sido o agronegócio (com o qual o presidente está politicamente distante), que sozinho cresceu 21,6% em relação ao quarto trimestre. A disparidade entre a alta do PIB nacional (1,9%) e a da agropecuária é explicada pela baixa participação do setor, inferior a 10% na economia, sendo que serviços é que na verdade dominam o PIB. Mas os negócios do campo, que até os anos 1980 eram concentrados no Sul-Sudeste, hoje levam prosperidade para o Centro-Oeste e partes do Nordeste antes esquecidas para investimentos, como o oeste da Bahia e o Piauí. O agronegócio também injeta recursos na indústria de máquinas e insumos e na prestação de serviços, assim como no comércio e na arrecadação de impostos das cidades economicamente voltadas ao setor rural. Para empresas e famílias de grandes e médias cidades próximas ao litoral, do Sul ao Nordeste, deve haver um estranhamento sobre esses números do PIB, pois há uma sensação de estagnação. Isso se deve ao impacto dos negócios de serviços fechados na pandemia que se recuperam aos poucos e com o sumiço do crédito, que não irriga a economia pelos juros altos e temor dos bancos com calotes. Por outro lado, os países ricos e a China estão com baixo crescimento ou recessão, como é o caso da Alemanha. Mesmo assim, o Brasil segue com um dos maiores saldos comerciais (exportação menos importação) do mundo. Se isso se mantiver simultaneamente com a retomada da indústria e dos serviços, o PIB finalmente poderá avançar de forma mais robusta.