[[legacy_image_251927]] Um estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgado no Governo Bolsonaro apontou 4,7 mil obras paralisadas, que exigiram R\$ 135 bilhões para serem retomadas e concluídas. Agora, na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ideia com o relançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é aproveitar os empreendimentos parados, sem ainda esclarecer qual o alcance da medida, do lado do volume de recursos que realmente a atual administração terá condições de aplicar nos quatro anos de mandato. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo o secretário especial de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Maurício Muniz, do Governo Federal, será criado um aplicativo para que o PAC seja abastecido pelos municípios e estados de projetos abandonados para serem retomados. Portanto, os números da administração anterior devem estar bem abaixo da realidade do País, ficando a dúvida do que realmente sairá do papel desta vez. Para que esse PAC dê certo ou não sirva apenas de ferramenta para dar visibilidade ao governo e atrair votos futuros, é preciso refletir sobre como o País chegou a essa escala de obras paradas aos milhares. Essa situação não é um problema recente ou apenas deste século. Os mais velhos já conhecem esta decepcionante ineficiência do setor público, seja o municipal, estadual ou federal, de não terminar muitos de seus empreendimentos, a custo altíssimo em termos de recursos estatais, de prejuízo para as empresas e a população, que ficam sem infraestrutura (rodovias, ferrovias e portos), serviços públicos (saúde, educação e segurança) e habitação porque um empreendimento não foi finalizado. Os motivos para tal fracasso são muitos, desde um edital lançado para atender as empresas amigas dos governantes da ocasião e abrir brechas à corrupção até procedimentos licitatórios que cedem execuções de obras a companhias sem capacidade de cumpri-las. Há ainda projetos nada prioritários ou feitos para servir de vitrine para políticos que almejam a imagem de tocador de obras. Há ainda, o desfecho final da falta de dinheiro, muito comum em uma economia tão instável como a brasileira desde os anos 1970, que leva à interrupção dos trabalhos e gera esqueletos espalhados por todo o País. Entretanto, a limitação de recursos e a construção civil esperam do governo uma condução ímpar de obras, principalmente as que serão retomadas. A continuidade dos projetos e uma gestão clara e com uso responsável de recursos são fortes o suficiente para moverem toda uma engrenagem da economia, com geração de empregos, receita com impostos e expansão de indústrias, prestadores de serviços e das próprias construtoras. Com metrópoles imensas, muitas empresas estagnadas e milhões de trabalhadores desempregados ou com ocupações mal remuneradas, o País precisa de uma reativação de um programa de obras ambicioso e que não pode fracassar.