[[legacy_image_291594]] Os jornais ao longo das últimas décadas revelam problemas recorrentes na saúde pública, como hospitais lotados, filas longa para cirurgias agendadas (que costumam ser adiadas para o sistema dar conta das urgentes, tornando crônicas doenças que seriam rapidamente resolvidas), demora na distribuição de medicamentos e programas preventivos que não chegam à população. A falta de recursos, assim como denúncias de corrupção e falhas na gestão também se repetem. O atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) durante o auge da pandemia mostrou que ele tem capacidade de responder rapidamente nas calamidade, garantindo cuidados aos mais pobres. Por isso, não se pode menosprezar os serviços do SUS e das secretarias municipais e estaduais de Saúde, porém, não são perfeitos e precisam ser mais ágeis. Toda essa rede também deve ser preparada para atender mais rapidamente as mudanças demográficas, como o envelhecimento da população ou o crescimento das pequenas e médias cidades. As demandas mudam ao ritmo das emergências ou de forma gradual, mas é fundamental estar atento a todas elas. Em meio a problemas clássicos que os sucessivos governos não conseguiram resolver, o secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, em entrevista a A Tribuna, falou em melhorar a eficiência do sistema, defendeu a regionalização do atendimento e mudanças na oferta de medicamentos e indicou o uso dos mutirões para reduzir filas por cirurgias, uma estratégia explorada com bons resultados pelo então ministro da Saúde, José Serra, contra a catarata, entre 1998 e 2002. Segundo Paiva, há 8 mil leitos desativados, que precisam ser reabertos para fazer andar a fila de pacientes. Espera-se que esse problema seja resolvido. Fechar vaga de hospital público gera uma cadeia de reflexos, como a óbvia piora dos doentes mais pobres, mas também trabalhadores que demoram a retornar à ativa, famílias que ficam sem seu sustento, muitas vezes oriundo da informalidade (nessa condição, não têm planos de saúde ou afastamento pela Previdência Social), reabilitações demoradas, enfim, a transformação de um adoecimento, que poderia ser brevemente resolvido, em um problema social que efeiotos de décadas. O secretário também afirmou que lançará projeto de saúde digital, com teleatendimento, o que contemplaria regiões distantes dos centros avançados das universidades, com as quais o Estado pretende realizar parcerias. Trata-se de uma solução moderna, porém, não definitiva, pois ainda há uma fatia da população, como pobres e idosos – os que mais precisam de atenção – sem acesso a serviços on-line ou com equipamentos precários. Entretanto, deve-se notar que as dificuldades do sistema público de saúde são velhas conhecidas da população e dos políticos, e a maior parte delas depende de soluções simples. Contudo, os resultados exigem recursos, um gargalo que resiste à troca de governos.