[[legacy_image_202413]] O início das tratativas para Santos participar do programa de monitoramento por satélites da Polícia Federal dará acesso a uma ferramenta que ajudará a coibir desmatamento e ocupações em áreas de risco e a investigar ações de criminosos. Haverá ainda a possibilidade de rotineiramente acompanhar as obras públicas ou a expansão de favelas, identificando a necessidade de políticas sociais. Trata-se do Estado utilizando meios tecnológicos para melhorar sua eficiência. Entretanto, é preciso que a disponibilidade de tantos dados seja aproveitada de fato, com resultados práticos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Hoje, na área de segurança pública, especialistas cobram a falta de sintonia dos sistemas de informações de diferentes organismos com os das polícias para expandir a tão falada inteligência nas investigações. No caso de Santos, os efeitos da adesão ao programa Brasil Mais, como o sistema de monitoramento com 130 satélites é chamado, devem ser mais eficientes por se tratar de uma área menor e muito conhecida pelos servidores municipais. Também será preciso que a Prefeitura invista para aproveitar tanta informação digital para as atividades físicas de fiscalização, dos agentes sociais e da Guarda Municipal, conforme for o caso. A rigor, para participar da iniciativa federal, não haverá custos para o Município, que deve formalizar a adesão em apenas três meses. A Prefeitura já utiliza fotos aéreas, que precisam ser atualizadas periodicamente. A vantagem com o sistema federal é que o monitoramento pela rede de satélites oferecerá detalhes diariamente. Portanto, será possível identificar ações de criminosos com embarcações nos rios e no estuário ou um desmatamento em encosta na fase inicial. Para usar esses dados de forma tão abundante será necessário treinar pessoal e equipá-lo para novas demandas. Além disso, no âmbito da segurança pública, será possível abastecer de informações as polícias. Em meio a inovações tecnológicas, que propiciam uma fantástica quantidade de dados, ter acesso a eles é fundamental. O difícil é haver condições de aproveitá-los para aperfeiçoar as tarefas públicas e privadas do dia a dia - e conseguir inserir essas informações nos processos de gestão e prestação de serviços gera resultados extraordinários. O melhor exemplo disso são as gigantes da tecnologia, como Google e Meta (Facebook e Whatsapp), que utilizam suas bases de dados como vantagem estratégica para dominar seus mercados. Investir apenas em sistemas de monitoramento não basta. O próprio Governo Federal, com acesso aos satélites, não consegue reduzir o desmatamento da Amazônia. Também por lá, sem investimentos nas forças de segurança tradicionais, a tecnologia pouca serventia terá em termos de resultados práticos. Basta observar o Vale do Javari, palco de assassinatos recentes, uma área ignorada pelo Estado e usufruída por contrabandistas e faccões criminosas.