[[legacy_image_99321]] Os contínuos riscos de racionamento de energia e o impacto de chuvas torrenciais nas cidades são condições mais do que suficientes para governos, empresas e população olharem para as questões ambientais e a mudança climática como prioridades. Educação, saúde, habitação e geração de emprego são temas essenciais, de forma inegável, mas após uma análise profunda se observa que são áreas cujo desenvolvimento depende da sustentabilidade. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Basta considerar o impacto da seca na oferta de energia no Brasil e o risco de colapso da economia em caso de racionamento. Ou ainda o efeito da falta de chuvas ou mesmo do frio sobre a agricultura e o consequente impacto na inflação e no desemprego. No âmbito corporativo, alguns veem a inserção do ESG na estrutura operacional das empresas como mais um modismo ou tendência de uma época, tal como a reengenharia ou downsizing de tempos atrás. O ESG (meio ambiente, social e governança, na sigla em inglês), entretanto, como o nome indica, vai além, pois releva o compromisso das empresas com o bem-estar comum, combate à corrupção e respeito às leis, constituindo departamentos e executivos especializados nessas áreas. Entretanto, no Brasil se vê uma inadmissível incapacidade de se desenvolver sob planejamento e com adaptação às novas matrizes energéticas. O caso dos riscos de racionamento dos últimos anos – desde 2015 os reservatórios das hidrelétricas registram níveis preocupantes – é exemplar. O colapso da energia em 2001 deveria ter sido mais do que suficiente para reduzir a dependência do País da matriz hídrica. Muita discussão foi feita, diversos alertas foram dados e o Brasil mais uma vez falhou no âmbito do planejamento, sujeitando-se sempre ao jeitinho para resolver no afogadilho seus problemas. Hoje, enquanto diversos países avançam na expansão do uso de carros elétricos e de outras matrizes energéticas sustentáveis, o Brasil não só pouco investe nessas novidades como não aproveita seu parque industrial para produzir equipamentos específicos para o mundo. A China e a Alemanha já o fazem e faturam bilhões de dólares com esses novos filões. Já há leilões da energia eólica para abastecer o sistema nacional, mas existe uma variedade de fontes que precisam de um empurrão mais acentuado para se massificarem, como os biocombustíveis ou mesmo os carros elétricos. Devido a sua dimensão continental, uma população numerosa e uma indústria diversificada, o Brasil já poderia ter desenvolvido um megaplano abrangente para realizar uma grande transição energética. Obviamente que tudo tem custo e riscos de investimento. A diferença agora que não se trata mais de uma aventura capitalista. Há uma questão de sustentabilidade do planeta, cujo fracasso vai massacrar as economias. Não se pode deixar o tempo passar e ver o perigo climático aumentar livremente.