[[legacy_image_156603]] Este mês pode marcar o fim de uma espera de quase um século pela ligação seca entre Santos e Guarujá. Por outro lado, essa expectativa também corre o risco de ser mais um balão de ensaio, uma proposta que os políticos aventam e depois engavetam sob a histórica alegação de falta de verbas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os prefeitos de Santos, Rogério Santos (PSDB), e de Guarujá, Válter Suman (PSDB), estão com razão ao defenderem as duas possibilidades simultaneamente – os projetos de ponte e túnel submerso, conforme afirmaram em entrevista para A Tribuna nesta semana. As duas propostas são válidas e até a discussão sobre haver não só uma das estruturas, mas as duas unindo as margens Direita e Esquerda, não é nova. Depois de tantas décadas de discussões, veio o crescimento portuário, que deve continuar conforme os investimentos previstos pelos terminais, a expansão da área do Porto, e o fluxo intenso de veículos. Caso contrário, fica o risco do aumento da demanda nas próximas décadas rapidamente estrangular um só investimento adotado. O problema atual é que há uma rivalidade política por trás desses empreendimentos citados pelos prefeitos. O Governo Federal defende o túnel, alegando que é a alternativa mais viável, pois estará incluída no pacote de obras da privatização da gestão portuária do complexo santista. A outra proposta, a ponte, é defendida pelo governador João Doria (PSDB) por meio de uma extensão de contrato com a concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes, a Ecovias, que assumiria a construção. O presidente Jair Bolsonaro já disse a A Tribuna que vai tomar uma decisão sobre a ligação seca neste mês. Entretanto, Doria anunciou que cansou de esperar pelo sinal verde da União para o empreendimento estadual e pensa em entrar com ação judicial para iniciar as obras o mais rápido possível. O ideal seria a região, por meio de suas lideranças, apontar uma defesa firme dos empreendimentos. No caso dos demais prefeitos, também consultados por A Tribuna, Ademário Oliveira (PSDB), de Cubatão, cita a preferência pela ponte, enquanto Raquel Chini (PSDB), de Praia Grande, defendeu o túnel por seu potencial de integrar a região. Os outros três prefeitos – Caio Matheus (PSDB), de Bertioga, Tiago Cervantes (PSDB), de Itanhaém, e Kayo Amado (Podemos), de São Vicente – não destacaram um ou outro projeto, mas defenderam que pelo menos um deles saia do papel logo pelo bem da região. As prefeituras de Mongaguá e Peruíbe também foram questionados, mas não se manifestaram. O ideal é que os governos Federal e Estadual possam superar a rivalidade política e discutir as alternativas para a Baixada Santista, lembrando que investimentos desse porte vão exigir adaptações nas rodovias e na infraestrutura urbana. Neste caso, o planejamento será fundamental para potencializar os ganhos econômicos resultantes e também para reduzir eventuais transtornos à população.