[[legacy_image_215324]] O crescimento da indústria paulista de 2,6% em agosto, na comparação com julho, e de 4,5%, em relação a igual mês do ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), surpreende pelas dificuldades que o setor enfrenta, pois os dados poderiam ser mais modestos ou ficarem negativos, como nos meses anteriores. Esse avanço representa uma expectativa de retomada sustentável, o que só o tempo mostrará se ela se dá agora de forma consistente. O setor industrial enfrenta mais barreiras do que o agronegócio e os serviços por produzir itens de maior valor agregado, que geralmente dependem de financiamento, hoje com juros muito altos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Por outro lado, o suprimento das cadeias de produção, como matérias-primas e componentes semicondutores (chips usados em automóveis e eletroeletrônicos), permaneceu atrasado durante o primeiro semestre, melhorando mais recentemente, mas com preços mais altos devido à demanda reprimida. Tudo isso inibiu a produção na primeira metade do ano. Alguns segmentos apresentam índices de aumento de dois dígitos na comparação da produção de agosto com igual mês do ano passado, como veículos, com 21,5%, têxteis, com 29,6%, e farmoquímicos e farmacêuticos, com 24,1%. O IBGE explica que esses percentuais elevados refletem o baixo desempenho da indústria em 2021, gerando esse efeito estatístico. Mas melhor assim. Se não fosse São Paulo, o resultado do setor em termos nacionais em agosto seria bem pior. É muito difícil para o empresário tomar decisões de investimento com juros básicos de 13,75% ao ano, mas pelo menos há uma expectativa de recuperação no horizonte, inclusive em relação à Selic, que parou de subir e se estima que começará a cair em meados do próximo ano. Esse componente não é o único que conta para uma retomada, porém, ele sinaliza que o consumidor poderá voltar com mais força às compras, o que exige um preparo para atender uma recuperação da demanda. Observando as outras condições para o setor se aquecer, está a normalização dos suprimentos. Nas montadoras, as paralisações forçadas por falta de peças diminuíram bastante e ainda é preciso entender qual será o impacto das medidas de estímulo do governo para conquistar votos, principalmente a que reduziu impostos para baratear os combustíveis, com reflexos na indústria petroquímica, atendendo um aumento de consumo. Entretanto, não é possível isolar o Brasil do contexto mundial, que tende a piorar com recessão nos países ricos, aumento dos custos de energia dos europeus no inverno e possivelmente com o petróleo estagnado em um nível alto devido às manobras dos países produtores. A indústria brasileira é parte dessa cadeia globalizada e pode ser impactada, até pela concorrência de importados mais baratos, mas poderá estar mais robusta, com um cenário mais claro e sabendo que armas usar para avançar.