[[legacy_image_125552]] Duas notícias relacionadas ao desmatamento da Floresta Amazônica, divulgadas na quinta-feira, atingem a imagem do País, com possíveis repercussões comerciais, além de efeitos ambientais inquietadores. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) levantou que, de agosto do ano passado a julho último, a mata perdeu 13.235 quilômetros quadrados, a maior destruição em 15 anos, superando outros 10.851 Km2 em mesmo intervalo nos 12 meses anteriores. O registro mais recente tem dimensão impressionante, equivalente a 335 vezes a parte insular de Santos ou 75 a área de Glasgow, sede da COP26, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, encerrada no dia 12. Aliás, para piorar o impacto da estatística do Inpe, o documento do instituto mostra que ele foi concluído em 27 de outubro, antes do começo da COP26 e divulgado após o encerramento. Se não houve intenção de esconder essa informação dos conferencistas, como acha o vice-presidente Hamilton Mourão, a demora expõe o País a mais críticas necessárias num público que daqui para frente vai pressionar muito o País. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Também na quinta-feira, o jornal Valor divulgou que a União Europeia estuda endurecer sua regra antidesmatamento, que é proibir a importação de commodities (produtos agrícolas e minerais cotados em bolsa) de florestas recém-destruídas. No caso do Brasil, se essa mudança se consolidar, fazendas do Pantanal e do Cerrado serão vetadas. O princípio das restrições é a produção em matas convertidas em uso agrícola com ou sem indução do homem. A definição de floresta é para áreas de pelo menos meio hectare (a parte insular de Santos tem 3.940 hectares) com árvores a partir de cinco metros de altura e cobertura do dossel (sobreposição das copas, onde há um habitat de plantas e animais acima do chão) de mais de 10%, excluídas as áreas de predomínio de plantações agrícolas. Mas há eurodeputados que defendem a inclusão de um bioma inteiro, como o Cerrado, ou mesmo estabelecer produtos específicos, por exemplo, milho e borracha. Ocorre ainda um debate sobre cobrar zero desmatamento e o questionamento paralelo de que tamanho embargo puniria qualquer agronegócio tropical, sustento de produtores nos países pobres. Fica ainda a possibilidade de muitas restrições serem embutidas como protecionismo para reduzir a concorrência de regiões com custos mais baixos. Por isso, é de fundamental importância que o Brasil coloque em campo negociadores conhecedores dos bastidores desses plenários de decisões. Por outro lado, o País não pode continuar só na defensiva, alegando que qualquer pressão externa contra o desmatamento é pura pretensão comercial ou de desrespeito à soberania. Nesse cenário tão ruim para o Brasil, o caso dos dados não divulgados deteriora mais a imagem brasileira. O desmatamento não começou agora, mas o governo precisa mostrar que pode enfrentá-lo com seriedade.