[[legacy_image_259325]] A Prefeitura de Santos anuncia a intenção de contratar seguranças para reforçar o patrulhamento nas escolas da rede municipal de ensino. Além das rondas escolares já executadas pela Guarda Civil Municipal e pela Polícia Militar, as 86 unidades municipais de ensino terão profissionais especializados nos locais de acesso dos alunos e funcionários, e a intenção é que esses agentes ali permaneçam durante todo o período de aulas. Diz o prefeito Rogério Santos que essa é uma medida necessária para levar tranquilidade aos pais, educadores, funcionários e alunos, face aos últimos acontecimentos trágicos envolvendo escolas nas últimas duas semanas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Reforçar a segurança das escolas com a colocação tanto de agentes da Guarda Civil quanto da Polícia Militar é medida importante em qualquer ocasião, e não é de hoje que gravitam ao redor desses espaços ameaças e vulnerabilidades que amedrontam a comunidade escolar: tráfico de drogas, aliciamento e roubo de celulares, apenas para citar alguns dos delitos mais frequentes e que sempre demandaram maior segurança. Mesmo fora do horário escolar, não foram poucas as vezes em que ladrões invadiram as unidades, com pouca ou nenhuma segurança noturna, para levar computadores e eletroeletrônicos, além de vandalizar os demais espaços. É preciso entender, porém, que o combate à violência dentro da escola, na forma como vêm se apresentando os casos, não se resolverá com força policial apenas. Não são poucos os especialistas e educadores que enxergam nessas ações algo mais profundo e enraizado na sociedade, um movimento que vem crescendo no universo real e na internet também, com a banalização e normalização dos discursos de ódio, de violência e de extremismos. Professores apontam para razões que vêm do cotidiano das famílias e dos ambientes onde crianças e adolescentes vivem, presenciando violência doméstica, descuido com a infância e seu desenvolvimento, miséria, exposição excessiva e prematura a mídias sociais e conteúdos inadequados. Outra parte dos atos, como o de Blumenau (SC), tem origem na formação e criação de grupos extremistas radicais, que se proliferam sem regras e limites no submundo da internet, onde não há policiamento ostensivo, mas poderia haver, isto sim, um trabalho mais focado de inteligência artificial. A intensificação da presença policial nas unidades de ensino é relevante e deve ser, sim, política pública para todos os municípios, mas esses agentes também precisam ser capacitados para lidar com um público em formação, cujos sinais de desvio nem sempre são agressivos ou violentos, pelo contrário, já que parte dos jovens que cometem delitos tinha comportamento retraído e tímido. Melhor será entender que a medida ora anunciada seja temporária, apenas até o momento em que toda a sociedade entender que a construção da paz dentro das escolas diz menos sobre polícia e mais sobre um olhar generoso com a formação de crianças e jovens.