[[legacy_image_101233]] O nome da Operação Conteiros, que prendeu seis suspeitos na quinta-feira em Guarujá, faz referência a grupos que recebem dinheiro de transações criminosas em suas contas. A importância dessa ação deflagrada pela Polícia Civil de Santos é que ela combate crimes antigos – extorsão, lavagem de dinheiro e roubos – agora praticados com movimentações bancárias geralmente pelo Pix. No caso específico da Conteiros, conforme A Tribuna publicou na edição de ontem, a investigação começou após uma família de Bertioga, mantida em cativeiro, ter sido saqueada por meio de operações bancárias no mês passado. Os alvos dos policiais, segundo apurou a Delegacia de Investigações Gerais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santos, recebiam entre 5% e 20% dos valores creditados em suas contas. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! https://assine.atribuna.com.br/ Esse trabalho da polícia ajuda a entender como a tecnologia bancária pode favorecer os criminosos. Por outro lado, confirma o que o Banco Central alegou há algumas semanas ao limitar o uso do Pix após as 20 horas – esse sistema instantâneo deixa rastros. Isso permite à investigação policial também usar os meios modernos para identificar e capturar bandidos. Dessa forma, os governos precisam investir em novas ferramentas para conter a audácia dos criminosos. Lançado pelo Banco Central em novembro, o Pix fez rapidamente sucesso por ser gratuito e operar em tempo real. Mas logo começou a ser apropriado por bandidos. Em uma das formas de ação já identificadas, criminosos obrigam a vítima a desbloquear o celular e fazer o Pix, o que pode levar a uma retomada da onda de sequestros relâmpago. Este possivelmente foi um dos motivos que levaram o BC a restringir o acesso ao Pix de madrugada. Os meios eletrônicos já são bem usados para golpes rotineiros, como telefonar para uma vítima desavisada e convencê-la a passar dados pessoais. Há também os hackers que conseguem agir com facilidade, o que tem sido combatido com combinações com caracteres e números ou com dupla verificação. No caso das criptomoedas, o problema é mais grave ainda, porque as quadrilhas digitais podem invadir o sistema de segurança de plataformas especializadas, o que é enfrentado pelos investidores com a transferência de seus bitcoins para carteiras eletrônicas que só são acopladas no computador na hora da operação financeira. Além do investimento do setor público na investigação de base tecnológica, a melhor forma de reduzir esses crimes é o sistema bancário e o BC convencerem a população sobre a necessidade de uso efetivo dos protocolos de segurança, que mudam rapidamente e são seguidos por poucos. O combate a todo tipo de transação digital criminosa também é uma forma de evitar que esses recursos financiem ações físicas de grande proporção, como os ataques a bancos no interior ou o tráfico internacional, muitas vezes comandados por facções de dimensão nacional.