[[legacy_image_310817]] Uma nova onda de calor em ao menos 12 estados brasileiros é aguardada para este final de semana e vai elevar bastante a temperatura, podendo se intensificar a partir de segunda-feira, incluindo os dias do feriadão. A previsão é de que a temperatura suba até 5° acima da média normal para o mês de novembro. Esta será a quarta onda de calor que o Brasil vive no segundo semestre deste ano e poderá ser mais forte do que as verificadas em agosto, setembro e outubro. O alerta vermelho inclui os estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí. O alerta poderia ser computado como mais uma consequência do fenômeno El Niño, verificado sobre as águas do Oceano Pacífico, e com consequente elevação das temperaturas em todo o planeta. Essa é uma meia verdade porque, a exemplo de outras situações, fenômenos climáticos periódicos, como chuvas ou secas intensas, vêm sendo potencializados pelo despejo crescente de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, provocando as mudanças climáticas de que tanto se fala. A Organização Meteorológica Mundial já alertou que 2023 caminha para ser o ano mais quente deste século e 2024 deverá bater novos recordes. O tema percorre os debates da academia e os fóruns intergovernamentais, como o que ocorrerá no final deste mês, em Dubai, na Conferência do Clima (COP), mas ainda se percebe um claro descompasso entre os discursos preocupados dos estudiosos e autoridades e a população em geral, que não associa as ondas de calor, as chuvas torrenciais e a seca extrema ao aumento da temperatura do planeta. Já se prevê que os compromissos assumidos no Acordo de Paris, de limitar o aquecimento da Terra a 1,5°, no máximo, até 2030 não serão cumpridos, porque a temperatura já está 1,1° mais alta. Essas certezas e o acompanhamento próximo do que já vem ocorrendo no Brasil e no mundo permitem adotar como certa a necessidade das cidades promoverem políticas e ações de resiliência às mudanças climáticas, tanto com obras robustas de infraestrutura urbana, como com soluções baseadas na natureza, exemplo do que Santos já vem fazendo nas encostas dos morros, com replantio de espécies capazes de conter eventuais escorregamentos de terra em períodos prolongados de chuvas. Outro ponto a observar no ambiente urbano diz respeito às árvores que, derrubadas durante os temporais, promovem estragos e apagões elétricos como o visto na última semana na Capital Paulista. Ondas de calor, porém, pedem cidades bem arborizadas e espaços verdes em abundância. Todos esses aspectos são relevantes quando o olhar está voltado não só para reduzir as emissões de GEE, mas também preparar os municípios para consquências sobre as quais não há mais dúvidas de que virão. Mais que isso: já estão presentes.