[[legacy_image_307506]] O presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, anunciou o encaminhamento ao Ministério de Portos e Aeroportos do pedido de inclusão de regiões da Área Continental de São Vicente na poligonal do Porto de Santos. O anúncio acolhe sugestão do prefeito vicentino, Kayo Amado (Pode), e tem como justificativa, segundo Pomini, o gargalo existente na atual configuração do porto para o escoamento de produtos. “Daí a importância de conectarmos áreas e retroáreas, para atender à capacidade de movimentação”, disse o executivo, durante participação no Summit São Vicente, organizado pelo Grupo Tribuna para debater os planos de desenvolvimento da cidade vizinha com vistas a chegar aos 500 anos, em 2032, com melhores indicadores sociais e econômicos. O anúncio surpreendeu a plateia que acompanhava os debates, mas também jogou luz sobre outras reflexões a respeito dos pilares que sustentam a economia regional. É sabido que a base forte da geração de renda e impostos na Baixada Santista está ligada às atividades portuárias, de logística e de transporte, mas também aos serviços e a toda cadeia produtiva do turismo. Por outro lado, há uma narrativa no inconsciente coletivo da região de que é preciso criar outros pilares econômicos, atrair mais investidores e empreendimentos de fora. Ainda que sejam todos argumentos pertinentes e lógicos, não se pode descartar as oportunidades existentes dentro da própria região, que dependem apenas de serem enxergados de forma coletiva. No evento em que se discutiu São Vicente, um amplo estudo foi apresentado pela Fiesp a respeito de potenciais econômicos já existentes no município, mas que podem ser alavancados para que virem referência, empreguem mais e gerem novos negócios. Na área de turismo, esporte, lazer e saúde, por exemplo, a Fiesp identificou que, hoje, ela já representa 20% dos empregos formais da cidade. Então, por que não empreender nas janelas de oportunidades que esse setor oferece, como turismo para a terceira idade, confecção de moda praia, e também no turismo náutico e de pesca? Poucos sabem, mas São Vicente dispõe de 19 marinas em funcionamento. Os dados exibidos pela federação colocam na vitrine novos negócios a partir de cenários já existentes, mostrando que São Vicente tem plenas condições para chegar aos 500 anos com alguns de seus problemas econômicos reduzidos e com perspectiva de cidade pujante. Da mesma forma, outros municípios da região guardam valores e oportunidades ainda não explorados adequadamente pelo setor privado. É preciso enxergá-los com base em dados e cenários. Essa reflexão permite pensar no desenvolvimento econômico da Baixada Santista como um todo, uma só macroregião, com cada município explorando bem suas características e virtudes. É tempo de ‘vender’ a Baixada Santista de forma coletiva, sem vaidades geográficas, entendendo que o fortalecimento de um beneficia a todos.