[[legacy_image_213592]] Começa nesta segunda (10), oficialmente, ampla programação em Santos para debater a cultura oceânica e a relevância que os oceanos têm não só para as atividades econômicas tradicionais - pesca, porto, turismo - como para o equilíbrio do clima e a manutenção da vida. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A agenda, que segue até o próximo sábado, pretende colocar na pauta as evidências científicas e os estudos que provam que, sem oceanos saudáveis, o desenvolvimento das nações ficará seriamente comprometido. A programação tem sintonia com a Década do Oceano, proclamada no ano passado pela Organização das Nações Unidas, com a missão de promover soluções transformadoras baseadas na Ciência para o desenvolvimento sustentável. A Década do Oceano conecta pessoas e instituições em todo o mundo em prol da sustentabilidade, envolvendo todos os setores da sociedade. Santos foi escolhida para ser sede dos Diálogos da Cultura Oceânica de forma inédita, em junho, durante conferência da ONU em Lisboa, Portugal. É a primeira iniciativa nesse sentido em todo o Hemisfério Sul. Embora os estudos e pesquisas em torno da importância dos oceanos para o equilíbrio do planeta estejam bastante avançados, ainda é inexpressivo o conhecimento da população em geral em torno desse tema. A sociedade acostumou-se a enxergar nos oceanos apenas um meio de transporte, o ambiente para atividades portuárias e um paraíso para o turismo náutico, o mergulho, a contemplação da fauna e flora. Com o avanço da pauta ambiental, especificamente sobre mudanças climáticas, o conhecimento começa a sair da academia e ganhar os espaços comuns da sociedade. Os oceanos são o maior dissipador de calor do planeta. Eles absorvem 90% do excesso de calor causado pelas mudanças climáticas. Os oceanos também são um sumidouro de carbono muito eficiente, absorvendo 23% das emissões de CO2 causadas pelo homem. Entender essa agenda e fazer esse conhecimento permear todas as camadas sociais e se transformarem em ações concretas representam grande desafio a pesquisadores, estudiosos e, especialmente, órgãos públicos. Há ameaças permanentes e expressivas a comprometer a saúde dos oceanos. Mais de 80% da poluição marinha provêm de atividades terrestres. Do branqueamento dos corais ao aumento do nível do mar, ecossistemas marinhos inteiros estão em processo de mudança galopante. Compreender essas relações e agir de forma assertiva e permanente são, portanto, ações urgentes por parte de toda a sociedade. Há, também, oportunidades econômicas ainda não exploradas, e das quais as cidades costeiras podem se beneficiar, como a bioeconomia azul, já amplamente difundida nos setores de cosméticos, alimentício e farmacêutico. Que a semana promovida pela Unesco em Santos possa ser o ponto de partida para uma agenda maior, sistêmica e, acima de tudo, permanente em toda a região.