Transcorreram quatro meses desde a interdição da Ponte dos Barreiros, em São Vicente, determinada por decisão judicial, com base em laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que indicou a possibilidade de colapso estrutural. Desde então, 150 mil pessoas, moradoras da Área Continental de São Vicente, enfrentam enormes dificuldades, todos os dias, para conseguir chegar à área insular da cidade e daí a outras cidades da Baixada Santista. Um mês depois, em 30 de dezembro, a Prefeitura da cidade assinou convênio com a Caixa Econômica Federal para receber a verba destinada pelo governo federal à reforma total da Ponte, no valor de R\$ 58 milhões. Na oportunidade, foi declarado que seriam liberados R\$ 48 milhões, previstos no Orçamento da União para 2020, e que a primeira etapa das obras, consideradas emergenciais, com custo de R\$ 5,5 milhões, seria imediatamente contratada, com previsão de 90 dias para conclusão. Para que sejam realizadas obras de engenharia são necessários projetos executivos. Foi necessário, portanto, licitar esse serviço. Dez dias após, a Prefeitura assinou o contrato para que o projeto emergencial de reparo de 50 estacas fosse realizado, com prazo de 30 dias. A empresa responsável cumpriu o estabelecido no contrato, e entregou o projeto no início de fevereiro. A etapa seguinte era a licitação da obra emergencial e, finalmente, o prefeito de São Vicente, Pedro Gouvêa (MDB), anunciou, dois dias após a abertura das propostas apresentadas, que a empresa Terracom foi a vencedora do certame. Ela iniciou os serviços na segunda-feira, com a instalação do canteiro de obras, com prazo de 90 dias para que sejam concluídos. Durante a execução das obras não haverá interrupção do fluxo de pedestres no local, mantendo-se inalterada a atual situação. A notícia é muito positiva. Até aqui todos os prazos foram cumpridos, e vislumbra-se agora a solução para que a ponte seja reaberta ao trânsito, ainda que de forma parcial, sendo liberada uma pista exclusivamente para veículos leves, permitindo, pelo sistema Siga e Pare, que a movimentação volte a acontecer. É fundamental, porém, que as obras completas de reforma da Ponte dos Barreiros sejam contratadas e possam ser desenvolvidas na sequência. A solução de liberar uma pista, que depende de autorização judicial, ameniza, mas não restabelece o trânsito pleno, e as dificuldades, embora muito menores, irão prosseguir. Espera-se que o atual momento de grandes problemas financeiros que a União está enfrentando, diante da necessidade de disponibilizar recursos para a Saúde e para o socorro a pessoas e empresas diante da pandemia do coronavírus, não afete a destinação da verba de R\$ 48 milhões já concretizada. O drama de milhares de vicentinos precisa acabar, rápida e definitivamente.