[[legacy_image_209459]] A reabertura e um ritmo mais consistente da economia desde o semestre passado estão intimamente ligados ao setor de serviços. São bares e restaurantes, shopping centers, ruas comerciais e atividades turísticas, além dos negócios de transporte, que voltaram a faturar mais com o retorno dos consumidores à socialização. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na inauguração da feira da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), em Olinda (PE), na quarta-feira, o ministro do Turismo, Carlos Alberto Gomes de Brito, afirmou que a expectativa é que os serviços gerem 670 mil empregos nesta metade do ano, depois da expansão acelerada no período entre janeiro e junho últimos (alta de 42% sobre igual intervalo do ano passado). Além disso, o faturamento apenas do turismo de janeiro a julho cresceu 33% sobre os mesmos meses de 2021, enquanto os embarques nas aéreas aumentaram 52%. Os percentuais são elevados porque a base de comparação (em 2021) estava deteriorada pelo auge da pandemia, mas a retomada mais agressiva é importante para reforçar o caixa das empresas do setor. Muitas delas ficaram inoperantes na fase mais aguda da covid-19 e acumularam dívidas, enquanto outras fecharam as portas, conforme pesquisas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O turismo, ao lado do comércio, é um dos segmentos de maior importância social. Além da grande quantidade de postos de trabalho gerados, as atividades turísticas são uma alternativa para regiões sem oportunidades econômicas, não exigem alta capacitação e podem conviver sustentavelmente com o meio ambiente. Neste mês, a CNC divulgou estatísticas mais positivas, melhorando a expectativa de crescimento anual do turismo para 5,1% (a aposta anterior era de 4,3%). O clima é mais de alívio do que de festa, porque a própria CNC espera alguma desaceleração (e não queda) neste semestre com efeitos da inflação dos meses anteriores. Os juros altos também inibem as vendas a prazo de pacotes e voos. Trata-se de um contexto do setor que no fim das contas, como qualquer parte da economia, acaba dependendo do quadro macro (política monetária de juros altos, inflação, dólar elevado e desemprego), que também sofre com as dúvidas sobre o próximo Governo. São questões que serão resolvidas ou pelo menos encaminhadas, permitindo aos negócios turísticos planejar seus rumos. Também na feira da Abav, o Governo aproveitou a proximidade das eleições para atender uma das principais reivindicações dos agentes de viagens, reduzindo a alíquota do Imposto de Renda Retido da Fonte (IRRF) sobre operações com hotéis e serviços do exterior, de 25% para 6%, a partir de janeiro. A alíquota muito mais elevada no País fazia as agências brasileiras não conseguirem competir com sites estrangeiros. Finalmente, este erro vai ser corrigido e é possível que o Governo acabe arrecadando mais do que até agora.