[[legacy_image_273292]] Com o anúncio da Autoridade Portuária de Santos (APS) de começar as obras do túnel submerso Santos-Guarujá no próximo ano, depois de várias promessas de realização por diferentes governos, o projeto agora vem sob novas condições. Ao invés da construção bancada pela empresa que assumisse a então Santos Port Authority (SPA), no Governo Bolsonaro, que planejava a privatização da gestão portuária, agora a responsabilidade será da União. Considerando a longa espera por esse investimento, o que interessa é que ele saia do papel, pois não se pode admitir que esse gargalo, implicando em tantos custos e perda de tempo aos cidadãos e empresas da região, continue sem uma solução. Conforme A Tribuna publicou na quarta-feira, o presidente da APS, Anderson Pomini, disse que a obra do túnel, estimada em R\$ 5 bilhões, será realizada pela própria Autoridade Portuária. Segundo ele, a APS tem R\$ 2,5 bilhões em caixa, portanto, metade do valor. Entretanto, empreendimentos de infraestrutura demoram a sair do papel no Brasil por uma série de motivos, como disputas judiciais nos processos licitatórios, restrições ambientais e cortes orçamentários que costumam interrompem os trabalhos das construtoras. Isso não significa que será o caso da obra do túnel, mas a APS deve ser questionada sobre as reais condições de praticar um empreendimento de tamanha envergadura. Na próxima terça-feira, o projeto atualizado será apresentado na Câmara dos Deputados, lembrando que parlamentares já percorreram o canal de navegação para conhecer o traçado da ligação seca e os pontos de acesos do túnel. Aliás, Pomini também afirmou que a obra depende da atualização das licenças junto ao Ibama, da autorização do projeto pelo Ministério de Portos e Aeroportos e, por último, do edital. Este precisa ser muito bem elaborado para não dar margem a brigas na Justiça ou insegurança às empresas na licitação. O impacto do traçado nos acessos na região da Capitania dos Portos, no lado santista, e em Conceiçãozinha, em Vicente de Carvalho, é outro assunto que precisa ser bem discutido por depender de desapropriações. A APS também pretende procurar o governador Tarcísio de Freitas para que o Estado participe do investimento, o que pressupõe, no caso de aporte paulista de recursos, do gestor estadual tender a negociar o formato do empreendimento, que é de competência federal. Freitas, que foi ministro da Infraestrutura de Bolsonaro e tratou do túnel, já disse que não teria restrições políticas para conversar com o Governo Federal para atrair investimentos para São Paulo. Contudo, a Baixada Santista não pode perder tempo com eventuais disputas políticas. Ao longo das décadas, A Tribuna noticiou vários planos de governos aventando uma ligação seca entre Santos e Guarujá que nunca saíram do papel. Portanto, mais uma postergação será inadmissível.