É muito cedo para que se possam fazer prognósticos sobre o fim da pandemia do novo coronavírus, ou pelo menos sua redução e relativo controle. Não se sabe a intensidade, a curva de incidência e a duração do atual ciclo, embora as previsões sejam que os efeitos - com as medidas restritivas - se prolonguem por alguns meses. Ninguém poderia imaginar, há pouco tempo, que o mundo viveria crise de tal magnitude, comparável a uma guerra que envolve todos os países do planeta. É fato que governos e amplos setores da sociedade subestimaram as consequências quando a epidemia já havia se instalado na China e que providências foram tomadas com atraso, sem o necessário planejamento. Foi preciso que a evolução se tornasse exponencial em várias regiões, com milhares de doentes e mortos em poucos dias, para que muitas das ações fossem empreendidas. Mas elas vieram, com a necessária dureza e intensidade, com quarentenas, proibição de circulação de pessoas e fechamento de praticamente todo o comércio e serviços. A estimativa dos prejuízos leva a números expressivos. Apenas na cidade de São Paulo, estudo da Fundação Instituto de Administração (FIA) aponta que o custo da paralisação pode chegar a R\$ 287 milhões por dia (R\$ 2 bilhões por semana), representando queda de 18% do PIB da Capital. Com a interrupção das atividades, trabalhadores têm sido demitidos, várias empresas não têm faturamento algum, o que as impossibilita de fazer frente a despesas fixas, e autônomos e informais não conseguem obter renda alguma. É certo que a crise terá fim. Mesmo nas hipóteses mais pessimistas, admite-se que, no segundo semestre, haverá a retomada, mas é preciso reconhecer que não será fenômeno instantâneo, que trará de volta imediatamente à situação vigente no início do ano. As empresas demorarão algum tempo para retomar sua produção normal, e a recuperação do mercado financeiro não se dará por passe de mágica, com alta imediata das ações que tiveram perdas colossais nas últimas semanas. Os consumidores estarão receosos e tímidos e demorarão a adquirir a confiança necessária para comprar bens e serviços. É provável que o setor de lazer e entretenimento tenha resposta mais rápida, em função da privação forçada, e, com a liberação em algum momento, a frequência a bares, restaurantes, cinemas e teatros aumentará significativamente. Mas o setor de turismo ainda sofrerá por algum tempo, especialmente quanto a viagens internacionais. O drama maior será daqueles que perderem o emprego ou forem forçados a endividar-se para superar a difícil fase. Isso inclui empresas, e será preciso esforço e ações para que os custos e efeitos negativos do combate à pandemia não sejam muito elevados e prolongados além do ciclo da doença.