[[legacy_image_240344]] Ao tomar posse como presidente da República pela terceira vez, Luiz Inácio Lula da Silva colocou entre suas prioridades pacificar o Brasil. Trata-se de medida mais do que urgente, haja vista a polarização além da conta que se arrasta há quatro anos e que teve seu auge no último dia 8, em Brasília. Porém, para acalmar os ânimos e mostrar serviço, o chefe do Executivo federal terá de ser mais cuidadoso. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A começar por sua relação com o mercado financeiro. Em recente entrevista, o presidente declarou que “o mercado não tem coração, não tem sensibilidade, não tem humanismo. Não tem nada de solidariedade. É só o ‘venha a nós’. ‘Ao vosso reino’, nada”. Ele se referia à reprovação de analistas e consultores a um possível aumento dos gastos públicos, o que faria a dívida subir e traria consequências prejudiciais a todos os brasileiros. Para Lula, “o mercado construiu uma narrativa de que tudo que você faz no Brasil que não seja pagamento de juros é gasto. Qualquer dinheiro que vai para a Saúde é gasto. Qualquer dinheiro que vai para a Educação é gasto. Qualquer dinheiro para pagar aumento de salários é gasto”, lamentou. O presidente já deixou claro que voltou ao poder para melhorar a vida dos mais pobres. Segundo ele, não é mais possível ver tanta gente passando fome e distante dos serviços básicos. Ao delegar a Fernando Haddad o Ministério da Economia, frisou que é preciso colocar o pobre no orçamento. O que é correto. Porém, não é comprando briga que ele vai se aproximar da meta perseguida. No mercado financeiro, como em todos os setores que movimentam a economia, há gente que não está interessada no progresso do País, e sim nos seus interesses pessoais – muitas vezes inconfessáveis. Porém, não deixa de ser um setor decisivo para os rumos do País. Mesmo quem não está diretamente inserido no contexto da compra e venda de ações acaba sofrendo os efeitos do sobe e desce da bolsa de valores. Ao ser confrontado com críticas do mercado, Lula também costuma lembrar que, nas duas vezes em que esteve na Presidência da República, alcançou números positivos na Economia ao mesmo tempo em que tirou milhares de famílias da pobreza extrema. Esse parece ser um caminho mais promissor do que mandar diretas e indiretas aos críticos. Nascido no universo sindical, Lula já foi muitas vezes elogiado pela habilidade em dialogar com aqueles que pensam diferente dele. Chegou a hora, então, de fazer valer sua virtude e baixar a temperatura. Não se trata de subserviência nem de viver sob tutela. Em tempos nos quais as autoridades foram colocadas em xeque, é necessário que o discurso seja firme. Contudo, em busca do melhor para o País, o presidente vai ter de encontrar um caminho entre preferências e dogmas ideológicos e a tolerância com quem, por vocação, prefere o canto oposto.