[[legacy_image_206519]] Tal como em setembro de 2020, o céu de algumas regiões do Estado ficou com uma cor cinza e o ar com cheiro de queimado. Também houve relatos parecidos em Santa Catarina. Segundo o Climatempo, esse nevoeiro de odor estranho é reflexo de fogo da região amazônica que foi espalhado também pelo Centro-Oeste, Argentina e até Uruguai. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) publicou que a Amazônia teve 33.116 focos de incêndio no mês passado, superando a média de 26 mil. Imagens da Nasa mostraram uma mancha gigante viajando do sul da Amazônia, em Mato Grosso, até a Região Sul. No caso da Capital, no inverno há tradicionalmente a degradação do ar com a dificuldade de dissipar poluentes em uma época mais seca, causando problemas respiratórios. A Cetesb afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que não é possível diferenciar as fontes causadoras. Entretanto, deve-se admitir um problema climático que veio da Amazônia, pois a poluição das queimadas está sobre áreas extensas e cidades pacatas que não têm um ar nocivo típico de uma metrópole gigante como São Paulo. A tragédia das queimadas está devidamente registrada e divulgada, mas a esfera governamental pouco faz e não admite alguma emergência, lembrando que os incêndios se espalham pelas áreas públicas da Amazônia, aumentando a responsabilidade da União e dos governos locais. De forma diferente, a Groenlândia passa também por uma crise climática que serve de alerta sobre o mundo estar perto de ultrapassar o limite do irreversível. Geralmente, na ilha congelada, o primeiro dia de setembro marca o fim da temporada de derretimento do verão, entretanto, diz o The Washington Post, este mês mais parece julho e um calorão inesperado de 20°C, um absurdo por lá, causou uma perda atípica de bilhões de toneladas de gelo. Eventos como esse levam os cientistas, como Fernando Reinach, em sua coluna no Estadão, a perguntar se já se chegou ao ponto de inflexão, quando não é mais possível retornar para salvar o mundo da catástrofe climática. Os pesquisadores discutem qual o aumento de temperatura em relação à era pré-industrial (época de referência das mudanças climáticas, pois se considera que o calor vem a partir da industrialização) para se chegar a esse nível irreversível. No caso de degelo total da Groenlândia, seria necessário um aquecimento de até três graus, enquanto a Amazônia morreria de vez se ficar entre dois e seis graus mais quente. Os estudos sobre as evidências das mudanças climáticas são alarmantes, ainda mais porque a destruição se dá ao mesmo tempo no Sahel (ao sul do Saara), no permafrost (congelamento permanente) russo, na Antártica e nos corais. Há os negacionistas por interesse econômico, estupidez pura ou desinteresse, mas o risco é, como escreveu Reinach, de se chegar ao ponto de inflexão, quando não haverá mais o que fazer.