[[legacy_image_151288]] Apesar de geograficamente distante do Brasil, a crise da Ucrânia, se evoluir de fato para um conflito, pode ter impacto profundo na economia brasileira. A Rússia é um dos três maiores produtores de petróleo e, se decidir cortar suas exportações em retaliação a sanções do Ocidente, há expectativas de que o barril ultrapassará US\$ 120, segundo o jornal O Estado de S. Paulo – a cotação já está a caminho de US\$ 100, aos US\$ 93. Esse efeito externo reduz ainda mais as chances do governo de ter algum retorno substancial em caso dos governadores cederem às pressões do Palácio do Planalto e abrirem mão de receitas bilionárias com o ICMS sobre os combustíveis. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Se forem observadas as opções do governo de reduzir os preços dos combustíveis, a conclusão é que no máximo se evitaria uma alta mais forte. Mas o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), desconversa sobre projetos para alterar a receita dos estados e os governadores, muitos deles candidatos à reeleição, precisam manter suas verbas para atender redutos. Uma alternativa seria criar um fundo com dinheiro a ser sacado assim que o petróleo subisse, na prática um subsídio voltado à classe média, evitando um reajuste da gasolina. Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, em entrevista ao Estadão, isso não faz sentido hoje, porque esse fundo tem que ser formado com o preço baixo para ser usado na alta. Criar esse artifício agora, diz Barros, mostra o costume de deixar para resolver tudo em cima da hora. Há ainda a possibilidade da Rússia desistir do conflito, atenuando a pressão sobre os preços, mas as cotações do barril poderiam subir em caso do forte aumento do consumo mundial com a reabertura das economias. Existe ainda uma outra chance para baratear a gasolina - a subida dos juros americanos que, se for acentuada causará recessão mundial, derrubando as compras de petróleo e igualmente seu preço. Por outro lado, não há como escapar do dólar. A moeda americana tende a se valorizar com os juros dos EUA mais altos. No caso do Brasil, o dólar deve ganhar um empurrão extra com as tensões da campanha eleitoral ou se o governo gastar desenfreadamente para agradar o eleitorado. Resta a última alternativa de obrigar a Petrobras a vender gasolina mais barato, mas os efeitos seriam desastrosos. A empresa tem sócios privados e muitos deles, no exterior, já processaram a estatal pelas perdas com os escândalos de corrupção. Além disso, a petrolífera possui uma das maiores dívidas do mundo e precisa de capitais para extrair petróleo de reservas de difícil acesso. Seria uma canetada que daria muito transtorno. Vai ser difícil o governo e o País atravessarem esse ano com tantos desafios econômicos, mas pelo jeito seus reflexos poderão repercutir em 2023. O melhor é retornar à austeridade com as contas públicas, evitar tensões que agitem o mercado e torcer por uma saída pacífica na crise ucraniana.