[[legacy_image_176006]] Com imunização disponível há décadas, origens e sintomas conhecidos e muita experiência médica, é inacreditável que uma doença gravíssima como o sarampo esteja com uma cobertura vacinal tão baixa. Segundo A Tribuna apurou com as prefeituras, considerando o público-alvo (crianças de 6 meses a 5 anos de idade e profissionais de saúde), a vacinação contra a infecção está na casa dos 20%, enquanto infectologistas e o próprio Ministério da Saúde recomendam no mínimo 90%. Na região, o pior resultado é o de São Vicente, com 12,87% de vacinados, e Guarujá o melhor, com 28%. Em Santos, a cobertura é de 23%. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Como o sarampo é uma das doenças mais infecciosas – um contaminado pode transmiti-la para outras 17 pessoas, segundo o infectologista Marcos Caseiro – e há três casos suspeitos em investigação em Santos, o que é um perigo, as prefeituras precisam rapidamente deflagrar campanhas de conscien-tização mais agressivas. Os pais devem ser alertados com grande ênfase dos riscos que seus filhos correm e ignorar informações fantasiosas que criminosamente se espalham pelas redes sociais contras vacinas. Uma vez iniciada uma onda de contaminação, rapidamente ela poderá se espalhar pelas cidades, ainda mais em um momento de clima mais frio, com janelas geralmente fechadas, pouca ventilação e vias respiratórias mais suscetíveis a infecções. A prevenção é o melhor remédio e a forma mais prática para vencer a resistência dos pais à vacinação e derrotar a histeria de alguns grupos digitais contra as autoridades sanitárias. Procurados por A Tribuna, a reação dos infectologistas entrevistados é de espanto e muita preocupação com a cobertura da vacina contra o sarampo. Elizabeth Dotti lembra que essa infecção pode matar, deixar surdo e causar lesões neurológicas. Por tudo isso, não é aceitável a exposição de um bebê a um vírus tão agressivo. Já o diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, Leonardo Weissmann, ressalta que a doença se espalha por meio de secreções eliminadas pela fala, tosse e espirros. “Com a baixa cobertura vacinal, vivemos o risco de uma epidemia da doença”. O que assusta é que a doença esteve perto do desaparecimento. Porém, os casos voltaram a ser registrados na Europa antes da pandemia e, com o aumento das viagens e a globalização, as contaminações se aceleraram. Weissmann cita como umas das principais causas do retorno da infecção os movimentos antivacina. Esses grupos já atuavam em especial nos países mais ricos e ganharam espaço com a ascensão das redes sociais. Infelizmente, o Brasil deixou se envolver com a disseminação de inverdades sobre as vacinas. Por aqui, a imunização sempre teve resultados excelentes por estar enraizada na rede pública de saúde e ser vista como estratégica pelos governos ao longo das décadas. Porém, há tempo para corrigir as falhas e proteger as vidas das crianças.