[[legacy_image_269190]] O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou não se encontrando com o líder ucraniano Volodymyr Zelensky, enfrentando críticas por isso. Mas da reunião do G7 se pode concluir que o País voltou a ganhar importância nas relações internacionais, dentro de um papel mais relevante dos emergentes. Lula explicou que tentou reunião com Zelensky, sem sucesso, porém, a sinalização do Itamaraty era de firmar total neutralidade. Entretanto, o G7 tinha outros temas em pauta, como meio ambiente, mas acabou se ocupando da Ucrânia e de se contrapor à Rússia, reforçando um pacote de sanções econômicas. Até como forma de tentar dividir a unidade do Brics (iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China mais África do Sul), os buscaram em algum comprometimento com Kiev, conseguindo a condenação brasileira da “violação da integridade territorial da Ucrânia”. A estratégia do G7 é sufocar a Rússia, desestimulando futuro avanço em direção ao oeste na Europa. No caso da China, há um claro esforço americano para retardar a supremacia econômica chinesa, restringindo o acesso a tecnologias mais avançadas. A rivalidade é tão acentuada que a geopolítica convenceu os gigantes do mercado financeiro americano a redescobrirem o Japão, um país que enfrenta o problema do decréscimo populacional e economia que cresce muito pouco – ao contrário da China e da Coreia do Sul. Entretanto, há outros atores prosperando na Ásia, como Indonésia, de altíssimo crescimento econômico e mercado de grande potencial (273 milhões de habitantes, 60 milhões a mais do que o Brasil), o Vietnã, um feroz concorrente das exportações chinesas, e a Índia. Conforme o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger, perto de completar 100 anos, apesar de Rússia e China terem se aproximado, as duas potências não têm confiança mútua (Kissinger tem conhecimento de causa, pois reaproximou China e EUA nos anos 1970 e levou Nixon a ser recebido por Mao Tsé-Tung em Pequim). Por outro lado, a Índia assume importância por ser um aliado em potencial, mas a opção do governo de Narendra Modi é conversar com todos os lados de forma pragmática, sem ingressar em alianças. O país tem uma população (1,4 bilhão) que acaba de superar a da China, mas com muitos pobres, e uma economia em ascensão, especializada em tecnologia e medicamentos e uma agricultura protecionista, que pouco se abriu para o agronegócio brasileiro. Apesar da atual política do governo, historicamente o Brasil busca atuar sem grandes laços, o que chega a ser visto como ficar em cima do muro. De qualquer forma, o País precisa ampliar sua importância no contexto internacional, considerando sua relevância ambiental e o gigantismo da produção de commodities. Portanto, sua diplomacia deve estar bem delineada no formato de uma política de estado, que não mude radicalmente a cada troca de governo.