[[legacy_image_231787]] Na roda de conversa dos jovens da faixa dos 20 ou 30 anos, a possibilidade de tentar a vida fora do Brasil é um tema corriqueiro. Entretanto, não é apenas para estudar ou trabalhar por uma temporada, mas para períodos mais longos ou fincar raízes, o que é preocupante pelo perfil de quem tem esses planos, muitas vezes capacitado em boas escolas e com espírito de iniciativa e empreendedorismo. Altos índices de desemprego por muitos anos, baixo crescimento econômico intercalado com recessão e escândalos de corrupção estão por trás dessa frustração. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Porém, uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostra que o Brasil está no radar dos estrangeiros que buscam grandes mercados consumidores e com potencial de rápido crescimento para investir, mesmo sob elevado risco, o que é comum entre empreendedores jovens. Conhecer esse fenômeno é fundamental para o País identificar os pontos que precisam ser prioritariamente melhorados e aproveitar esse dom. Inclusive porque há muitos brasileiros com esse perfil, estimulando aqui negócios associados a novas tecnologias. De acordo com o jornal, o Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) estima que R\$ 1,6 bilhão foram investidos no Brasil entre 2011 e o ano passado por empreendedores estrangeiros. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o quarto país que mais atrai recursos externos (várias fontes, não só pessoas físicas), atrás da China, Estados Unidos e Austrália. O atrativo do Brasil é sua população numerosa, que permite atingir vendas de maior volume mais rapidamente do que em mercados menores. O próprio atraso brasileiro em várias áreas, como transportes e ensino, permite ao estrangeiro trazer negócios sob baixa concorrência. Um país de dimensões continentais, com uma imensa diversidade propiciada pelas diferenças culturais, do clima e da miscigenação permite lançar produtos que poderão ser experimentados pela indústria e pelo varejo de outras partes do mundo, gerando talvez um ganho de escala mundial, um dos pilares do desenvolvimento das startups. Mas esses estrangeiros não têm o perfil do imigrante tradicional que ao longo das décadas chegou ao País e conseguiu desenvolver negócios com a cara e a coragem. Os empreendedores internacionais modernos já vêm com planos prontos e sabem onde captar recursos para investir. Eles dominam o conhecimento das novas tecnologias, possuem alto nível educacional e mais recentemente têm sido obrigados a aprender com o revés que as startups sofrem com a alta dos juros no mundo. São projetos que exigem muito investimento para crescer rapidamente. Porém, a semente do empreendedorismo internacional continua e deverá superar essa fase. Contudo, o Brasil deve aproveitar essa migração de empreendedores para aperfeiçoar sua economia, que ainda é uma das mais fechadas no mundo.