[[legacy_image_198167]] Em meio ao calor recorde no Hemisfério Norte, o Senado americano aprovou o pacote de combate à inflação de Joe Biden que, na verdade, tem como foco combater as mudanças climáticas (o pacote inclui medidas da saúde, entre outros pontos). O plano é sustentado pelo aumento de impostos sobre as grandes empresas altamente lucrativas para subsidiar a expansão de energias renováveis. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Trata-se de uma iniciativa importante que merece ser observada pelo Brasil, que não tem algo parecido por iniciativa estatal desse porte, com tantas ambições. Porém, por aqui, a iniciativa privada já explora as fontes eólicas (força do vento) com capacidade superior à da Usina de Itaipu, enquanto o uso de carros elétricos e pontos de recarga é mínimo. O plano Biden prevê a manutenção do subsídio de US\$ 7,5 mil (R\$ 38,3 mil) ao comprador de carro elétrico, lembrando que o Chevrolet Bolt é o mais barato dessa modalidade nos EUA, custando por volta de US\$ 30 mil (R\$ 153,3 mil, caro aos brasileiros, mas acessível lá). O governo democrata prevê destinar US\$ 370 bilhões às fontes renováveis, com o foco de acelerar a transição dos combustíveis fósseis às fontes verdes. O desafio é o mesmo de todos os períodos de troca de tecnologia. No início, a novidade tem um custo alto e poucos podem acessá-la, mas ao ser massificada os preços caem. O problema é dar esse salto. Isso envolve investimentos em infraestrutura, como torres eólicas e pontos de recarga de veículos, equipamentos residenciais e empresariais adaptados às novas fontes, treinamento de prestadores de serviços e a necessidade de fazer o consumidor gastar seu dinheiro em produtos, como carros, para fazer o que os atuais já fazem, o que explica o subsídio. Assim, Biden almeja reduzir as emissões do gases estufa em até 35% já em 2030, lembrando que o movimento contra combustíveis fósseis é essencial para combater a subida da temperatura média do globo. O pacote americano ainda será votado pela Câmara, na próxima sexta-feira, mas como há maioria democrata, a aprovação é esperada. As atuais temperaturas tórridas por lá devem ajudar a acelerar a aceitação desse plano nos EUA, mas também poderá estimular propostas semelhantes no Hemisfério Norte, o que inclui pressionar Brasil e outros emergentes a tomar medidas ambientalmente mais profundas e, em relação à Amazônia, exigir mais preservação. Caso contrário, o Brasil corre risco de ficar sujeito ao “cancelamento” pelas nações mais ricas. O combate às mudanças climáticas precisa de ações mais agressivas em termos globais. O degelo cada vez mais acelerado dos polos do planeta, instabilidades climáticas violentas (inundações e incêndios) e epidemias que estão relacionadas à invasão das matas pelo homem, como varíola e ebola, na África, chikungunya no Brasil e covid em escala global, sinalizam um arsenal de medidas que todo o mundo ainda precisa implantar.