[[legacy_image_202655]] Em um só dia, na quinta-feira, três países anunciaram ao mesmo tempo um contundente reforço de seus arsenais e forças militares – um sinal preocupante de novos tempos de belicismo mundial. Enquanto a Ucrânia agradeceu aos Estados Unidos pela ajuda extra de US\$ 3 bilhões em armamentos e munições, o presidente Vladimir Putin assinou a ordem de criação de 137 mil vagas para as Forças Armadas russas, que passará a ter um contingente total de 2 milhões de agentes no próximo ano. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O último reforço é o de Taiwan, que pretende comprar mais caças e mísseis para reagir a uma eventual invasão chinesa. A ideia do governo taiwanês é aumentar os gastos em 13,9% com defesa já no próximo ano, chegando a um total de US\$ 19,4 bilhões, o equivalente a 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), líder incontestável de componentes semicondutores, os chips usados nos automóveis e em eletroeletrônicos. São pronunciamentos que transitam entre Rússia e China, com os Estados Unidos de uma forma ou de outra inseridos nas tensões entre os dois gigantes militares. No fim das contas, são três potências de incrível poderio nuclear que andam no caminho contrário à distensão, que marcou o mundo desde a derrocada soviética. A escalada da tensão entre potências tem efeitos geopolíticos e econômicos mais amplos. A América do Sul, que parece muito distante dessas crises, sentiu, por exemplo, os efeitos da guerra da Ucrânia nas commodities, como petróleo e alimentos (alta do trigo e falta de fertilizantes). Os sul-americanos também têm a China como um de seus principais parceiros comerciais e como investidor na infraestrutura. No caso do Brasil, a China compra soja, carne e petróleo e participa de negócios de energia. A tensão em relação à Ucrânia e Taiwan é muito ruim, pois amplia animosidades regionais já existentes. É o caso da desconfiança dos vizinhos da Rússia, como os nórdicos, a Polônia e as ex-repúblicas soviéticas que se aproximaram do Ocidente (as do Báltico, por exemplo). Já a crise China-Taiwan preocupa as Coreias, Japão e até Filipinas e Vietnã, que têm rivalidades específicas com os chineses. Diferentemente de décadas atrás, quando EUA e URSS ditavam a ordem mundial da época, agora há um outro contexto econômico. No caso ucraniano, a invasão russa causou a Moscou o “cancelamento”, com a saída de empresas ocidentais, bloqueio de capitais e travamento parcial das exportações de petróleo e gás russos. Há ainda os efeitos persistentes da covid-19 na economia, o maior deles a inflação, resultado da injeção de capitais dos governos para estimular seus países. Além da questão pacifista e da própria sobrevivência de todos, as tensões entre potências militares interessam a todos os países por seus impactos na política, em um momento em que a democracia é desafiada e está sob clara pressão em vários pontos do globo.