[[legacy_image_244726]] Desde o Governo Trump, quando os Estados Unidos começaram a se estranhar com a China, ou há um ano, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, economistas e estrategistas passaram a falar em revisão da globalização, com um rearranjo das cadeias globais de produção. Nesse período, com o impacto da covid-19 no funcionamento de fábricas e o atraso de insumos e componentes semicondutores (chips de veículos e eletroeletrônicos), essa nova ordem econômica ganhou mais impulso e já está com um desenho bem adiantado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Portanto, levanta-se uma questão ao Governo Lula sobre como vai posicionar o Brasil nesse contexto e se isso se dará sem preconceitos geopolíticos, aberto ao capital externo e disposto a quebrar reservas de mercado para uma maior inserção do País na economia mundial sob novas condições. Trata-se também de uma oportunidade para o ministro Geraldo Alckmin cumprir um dos lemas da campanha lulista de “reindustrializar” o Brasil, uma ideia ainda muito vaga e sem grandes projetos traçados para esse fim. Segundo o jornal Valor, a tendência é encurtar as cadeias de produção, tornando os norte-americanos menos dependentes dos chineses e vice-versa, e o mesmo entre Europa e Rússia. No caso do Brasil, uma rápida observação sobre as potências envolvidas mostra que há um bom relacionamento diplomático e comercial com todas elas. Ocorreram algumas crises durante o governo anterior, especificamente com a China, mas sem grandes traumas. Aliás, com os chineses, os negócios permanecem em ritmo ascendente. Outra reportagem do Valor mostra que de, 26 estados mais o Distrito Federal, 19 aumentaram as exportações para Pequim, gerando até preocupação com a concentração do comércio exterior brasileiro com a China. Conforme a tendência de encurtar a cadeia de produção (nearshoring, na expressão em inglês), a principal meta é estar cada vez mais próximo da maior economia do mundo, os Estados Unidos, que buscam fornecedores sem risco de interrupção das relações comerciais por motivos geopolíticos. Neste momento, o país que mais fatura com essa moda é o México, segundo repórteres da agência Dow Jones Newswires. Empresas de várias partes do mundo, inclusive da Ásia, estão se transferindo para as terras mexicanas por uma questão não só de proximidade, mas porque exportarão aos EUA livres de tarifas e, no caso de fábricas, produzirão a custos menores. A ideia com essas cadeias de produção entre países “de confiança” é não passar pelo risco de ficar, por exemplo, sem chips, que hoje são 80% made in Taiwan, país de elevado risco de conflito com a China, que considera a ilha uma província rebelde. Portanto, há muita expectativa sobre qual o papel do Brasil nessa tendência que já está a todo vapor – se será agressivo na atração de negócios industriais e de serviços ou se vai se conformar como um grande fornecedor mundial de commodities agrícolas e minerais.