[[legacy_image_243536]] A vitória do governo nas eleições dos presidentes das duas casas legislativas é incontestável, mas ficou claro que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá dificuldades para aprovar seus projetos, principalmente os que embutem aumento de gastos ou são temas mais associados à esquerda. No caso da Câmara, os 464 votos obtidos pelo atual presidente Arthur Lira (PP-AL) foram resultado da decisão do Palácio do Planalto de não competir com candidato próprio. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entretanto, a opção por Lira se deu pela necessidade de selar o apoio do Centrão em votações futuras. Portanto, tamanho reconhecimento consolidou esse bloco de parlamentares pragmáticos e partidos em que a fidelidade a ideologias não tem a mínima importância. Do lado do Senado, o uso da máquina do Executivo para forçar a reeleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) mostrou que Lula terá que utilizar esse artifício à exaustão para passar suas propostas. Pacheco teve 49 votos, mas os 32 dados a Rogério Marinho (PL-RN) comprovaram um grupo opositor coeso, bem articulado e barulhento, que sabe usar as redes sociais para enfraquecer o Palácio do Planalto, que desta estratégia nada aprendeu nas eleições. Já se sabia que o petista teria dificuldades devido ao avanço da direita nas duas casas. Mas persistia a dúvida se ele conseguiria lidar a fundo com esse contexto, pois agora o bloco da esquerda está menor do que nos mandatos anteriores do presidente e uma parte da sociedade o rejeita, reflexo de uma polarização implacável e resistente, mesmo após as eleições de 2022. Também havia o suspense em relação aos impactos dos ataques aos três poderes no último dia 8, que evidentemente deram força política à figura do petista. Contudo, a articulação para reeleger Pacheco prova que Lula se servirá do peso do Governo Federal nas relações com o Congresso. O ideal seria uma política movida apenas pelo debate de ideias e do que é melhor pelo País. Porém, a realidade, que não é de agora, é atender políticos que precisam manter influência em seus redutos para serem repetidamente eleitos. Como reflexo, prioridades mudam e o gasto público aumenta, com o Brasil continuando caro, devido ao custo da máquina estatal, para os cidadãos e empresas e o País não acompanhando pares emergentes. Pacheco e Lira defenderam a democracia em seus discursos e isso é muito importante. “Essa Casa não acolherá, defenderá ou referendará nenhum ato, discurso ou manifestação que atente contra a democracia”, disse Lira, e Pacheco, “a democracia está em pé pelo trabalho de quem se dispõe ao diálogo, não ao confronto”. O respeito às leis e à Constituição é o caminho pela pacificação e governabilidade, mas os políticos precisam atingir os objetivos que a sociedade almeja para avançar com dignidade. Educação, saúde, segurança e infraestrutura carecem de um trabalho incansável.