[[legacy_image_136458]] O aumento da emissão de Carteira Nacional de Habilitação (CNH), na Baixada Santista, é um sinal da expansão da atividade de motorista por aplicativo devido à inovação tecnológica e à necessidade de sustento durante a pandemia. Segundo levantou a repórter Natalia Cuqui, a CNH na modalidade Exerce Atividade Remunerada (EAR) avançou 70% em apenas um ano na região, atingindo alta de 108% em Cubatão, a mais elevada entre as cidades, e de 54% em Santos. A EAR é a carta exigida para quem trabalha com app, além de taxistas, motofretistas e os condutores de transporte em geral. Com essa categoria aquecida, as autoridades precisam adaptar o sistema viário à nova realidade, com investimentos em infraestrutura e muita conscientização, pois são condutores que lutam contra o tempo e estão sempre de olho no celular. Há ajustes a serem implantados na legislação e os tribunais trabalhistas já discutem o vínculo empregatício com as companhias de aplicativo. Existe ainda a competição com o transporte coletivo, que é uma prioridade até porque as ruas podem ficar mais intransitáveis com o aumento de viagens particulares. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De acordo com os dados da CNH-EAR, dos 34,1 mil motoristas dessa modalidade na região no ano passado, agora são 58 mil. Entretanto, esse fenômeno se repete pelo País. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado em outubro, indica que, dos 4,4 milhões de trabalhadores de transporte, armazenagem e correio, 31% ou quase 1,4 milhão atuam no segmento de passageiros ou mercadorias por aplicativos. Em 2016, eram 840 mil – o contingente disparou 67% em apenas cinco anos. Talvez o recente aumento do preço dos combustíveis tenha segurado ou até derrubado o total de motoristas nessa área, mas são inegáveis a importância dessa atividade e a transformação que ela impõe no mercado de trabalho e nos custos das empresas ou pessoas físicas usuárias. Muitos especialistas em mercado de trabalho chamam essa tendência de uberização, que compreende uma empresa de base tecnológica que conecta motoristas e usuários. Além do transporte de passageiro e do delivery, esse sistema já é usado para viagens de ônibus entre cidades, incluindo trajetos longos, e entregas do e-commerce. Ao invés da transportadora ter uma frota própria, donos de carros e caminhões levam a encomenda por meio de app. A grande dúvida é se o filão do aplicativo estará preparado para eventual redução do desemprego nos próximos anos, pois muitos motoristas citam essa atividade como função principal devido a dificuldades para encontrar alguma ocupação estável ou melhor remunerada. Segundo pesquisas, há ainda a parcela que prefere atuar dessa forma, por conta própria, até como impacto da tecnologia na economia. Porém, é preciso discutir os efeitos socioeconômicos de afastamentos por acidentes ou doenças nessa categoria agora tão numerosa.